Entre 1912 e 1916, as regiões Sul do Paraná e Norte de Santa Catarina –área então em litígio entre os dois Estados– são palco de um dos primeiros conflitos agrários armados da história brasileira. Sob o comando de um líder messiânico –o pretenso monge autodenominado José Maria de Castro Agostinho–, cerca de 600 posseiros miseráveis se insurgem contra a República, instalada havia cerca de 15 anos, na tentativa de reimplantar a monarquia na região.
  O estopim da Guerra do Contestado (que recebe esse nome por ter sido travada na região disputada pelos dois Estados) são os privilégios dados pelos republicanos a companhias estrangeiras, que receberam extensas áreas de terra para explorar erva-mate e madeira. Uma dessas multinacionais beneficiadas é a companhia inglesa Lumber, que construía a Estrada de Ferro São Paulo–Rio Grande.
  Aliados aos fazendeiros locais e até as forças policiais oficiais (dominadas pelas oligarquias), as companhias estrangeiras despejavam com violência os posseiros das áreas ocupadas. Com as promessas de terra e salvação eterna, o monge José Maria –que na verdade se chama Miguel Lucena de Boaventura, é soldado desertor e foragido da prisão por crime contra a honra– arma os sertanejos e os leva ao conflito.
  Para combatê-los, Exército e Polícia Militar levam cinco anos e empregam mais de 7 mil homens. O saldo do conflito são 20 mil mortes. Os fanáticos religiosos são vencidos pela repressão oficial, as doenças e a fome.

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