Os ponteiros do grande relógio na parede do centro cirúrgico indicam que ainda faltam alguns minutos para as 7h. É nesse momento que Joaquim chega da UTI e começa a ser preparado para sua revascularização do miocárdio.
O cateterismo constatou que suas coronárias estão obstruídas em quatro pontos. Serão necessárias quatro ''pontes'', que não são só de safena, como muitos pensam. As tais pontes são enxertos que os cirurgiões cardíacos fazem para resolver o problema da irrigação obstruída no miocárdio, o nome técnico para o músculo cardíaco.
Durante muito tempo, a grande maioria dos enxertos era feita com as veias safenas, que ficam nas pernas. Hoje em dia, os médicos não dispensam as safenas, mas também utilizam a artéria radial, que fica no braço e a artéria mamária, que fica na parede torácica interna. Por serem artérias, a mamária e a radial têm maior resistência à formação das placas de ateroma.
Joaquim está com ar sereno, mas seu olhar revela tensão e ansiedade. Enquanto a instrumentadora prepara as mais de 50 pinças que podem ser utilizadas durante a cirurgia, uma técnica em enfermagem já deu um remédio que vai ajudar a manter a estabilidade da pressão arterial e ''instalou'' um monitor cardíaco no empresário. O monitor indica que o coração de Joaquim está batendo 90 vezes por minuto e a oxigenação no sangue é de 91%.
A máquina coração-pulmão, que vai manter o empresário vivo, enquanto o coração e o pulmão estiverem parados para os cirurgiões fazerem o seu trabalho, por enquanto está quietinha, em um canto do centro cirúrgico. Daqui a pouco, essa máquina será o centro das atenções.
O médico anestesiologista que vai trabalhar nessa cirurgia já chegou. Seu nome é Luciano da Fonseca Pinto. É dele a responsabilidade de que Joaquim ''durma'' e não sinta nenhuma dor durante o complexo procedimento. Por isso, o anestesiologista mexe em uma máquina verde, cheia de botões. É a bomba de infusão. Por essa máquina passam quase todos os medicamentos que Joaquim vai receber durante a cirurgia. A bomba de infusão é programada para que o paciente receba as medicações no horário certo e na dosagem exata. Tudo é calculado de acordo com o peso, idade, altura e sexo do paciente.
Joaquim será submetido a uma anestesia geral. Luciano explica que o empresário vai receber uma combinação de quatro drogas: uma para perder a consciência, outra para tirar a dor, mais uma para o relaxamento e finalmente uma de manutenção.
O médico faz algumas perguntas para Joaquim e dá explicações sobre a anestesia. ''O senhor vai receber alguns medicamentos e dormir. Só
acordará depois da cirurgia, lá na UTI''.
Não demora para Joaquim ''pegar no sono''. Neste momento, mais um médico já está no centro cirúrgico. Dessa vez, quem chegou é o cirurgião cardíaco auxiliar Márcio Cardoso. Por meio de uma máscara, o empresário recebe oxigênio. Dessa forma, seu sangue estará rico desse precioso gás no momento da cirurgia.
Enquanto isso, o cirurgião já fez uma pequena incisão no braço direito de Joaquim, onde instalou um cateter com um sensor na artéria radial. Esse sensor vai fornecer um dado importante aos médicos: a exata pressão arterial do paciente.
Um banho com uma solução anti-séptica vem a seguir e é mais uma das muitas medidas adotadas pela equipe cirúrgica para evitar a temida infecção hospitalar. Neste momento, Joaquim já está entubado. Um aparelho respira por ele.
Mais um médico entra na sala de cirurgia. É o cirurgião cardíaco Kengo Baba, natural do Japão, que nasceu e morou por 10 anos na terra do sol nascente. É um sujeito de poucas palavras e de muita inteligência. Faz parte de uma equipe de quatro cirurgiões e quatro residentes, que realiza, em média, 40 cirurgias cardíacas por mês em Londrina. Dessas, mais de uma dezena são realizadas em crianças, no Hospital Infantil. É ele que vai comandar a operação de Joaquim da Silva. Vai começar a cirurgia. (W.S)

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