A seguir, a entrevista de Arnaldo Zonari Filho sobre a tendência dos cinemas se instalarem em shoppings centers:
Viva - Por que abrir cinemas em shopping? Há uma tendência nesse sentido?
Arnaldo Zonari - Os cinemas de rua praticamente estão com seus dias contados. Por questão de segurança, e porque você tem que pagar a entrada do cinema mais o estacionamento. Seu custo aumenta bastante. Afora isso, se você deixar seu carro na rua, corre o risco de não encontrá-lo ou encontrá-lo dilapidado. Então a tendência em função da segurança e do custo menor para o espectador é frequentar cinemas de shopping.
Viva - Cinema em shopping atrai público
Zonari - Na minha opinião o que leva público ao cinema é o filme. Logicamente que o estacionamento gratuito, facilidade e um filme bom. Se não tiver um bom filme que tire o espectador de casa, não adianta colocar ouro dentro do cinema que o pessoal não vai. Você tem que apresentar um produto bom, uma produção boa, um diretor bom. Tivemos a experiência com a falta de produto bom no mercado, no Brasil inteiro. Houve baixa na frequência, brutal. Foi há umas duas, três semanas. Todos os exibidores sentiram.
Viva - Para atrair o público qual a medida a ser tomada? Lançamentos?
Zonari - Dependemos das companhias importadoras, que são as americanas: Universal, Paramount, United, Colúmbia, Warner, Fox. Recebemos materiais dessas companhias. Nós temos as casas de espetáculos, não depende da gente se a produção virá boa ou não. Vai depender da produção lá de fora. Às vezes acontece hiatos como aconteceu agora. Você não recebe material, então não pode apresentar nada ao público, consequentemente sua renda cai. Dia 20 vai entrar 1001 Dálmatas e dia 25 a fita do Stallone e a fita do Michael Jordan, um tipo de Roger Rabitt, filme de basquete com desenho.
Viva - Há épocas para os filmes?
Zonari - Final de dezembro, janeiro. Em fevereiro cai a oferta de filmes. Será reativada na segunda quinzena de fevereiro/março já com os filmes indicados para o Oscar. Final de fevereiro, março virão filmes ótimos.
Viva - Quais os diferenciais que as salas do Curitiba apresentam em relação a outras?
Zonari - As poltronas vieram de Dois Irmãos (RS), as passadeiras são importadas, o som é Dolby, não é DTS ainda em função do receio que têm do som vazar de uma sala para outra. O Dolby tem um som muito potente. Apesar das paredes serem duplas e terem um colchão de ar no meio e tijolos especiais térmicos e acústicos.
Viva - O público está mais exigente?
Zonari - Está mais exigente porque ele tem mais opções agora: tv a cabo, vídeo, etc. Mas você não pode ficar enclaurusado em casa. Com dois cinemas com o mesmo filme, ele vai optar pelo que ofereça maior comodidade.
Viva - O preço do ingresso de cinema diminuiu?
Zonari - Não diminuiu. Não tem como você cobrir as despesas, diminuindo o preço da entrada de cinema. Os custos no Brasil são muito altos - encargos sociais, a energia elétrica. O combustível está subindo. Você é obrigado a cobrar. Se os seus custos diminuissem tudo bem; mas você tem uma despesa fixa, o shopping tem uma despesa fixa. Temos um acordo com o shopping de manter um padrão A, então você é obrigado a cobrar. Comparado ao mercado americano, estamos no limite. Não podemos mexer absolutamente nada. Não podemos aumentar, mas diminuir também não pode. Temos que estacionar.
Viva - Como se dá a relação shopping/cinema?
Zonari - Até uns tempos atrás os cinemas não eram considerados como lojas-âncoras nos shoppings. O custo era muito maior. Chegaram a diminuir o percentual que sobrecarregava - e muito - o exibidor do cinema. Hoje, existe mais complacência dos idealizadores dos shoppings em relação ao cinema. Descobriram que os cinemas puxam pessoas ao shopping. Eles são construídos, preferencialmente no alto dos shopping. Hoje nos enxergam de outra forma.
Viva - A sua empresa está em quantos Estados?
Zonari - Paraná, Porto Alegre e Rio de Janeiro. Em shoppings: quatro em POA, três no Shopping Curitiba, terão mais três, dois no Shopping Água Verde, um no Champagnat; teremos mais um na metade do ano que vem; temos sociedade no Itália e aquilo que existia antigamente: Ópera, Arlequim, Vitória, Rivoli isso tudo foi se acabando. Esse tempo passou.

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