Os mais jovens não têm noção da crise
"Eu senti a crise, sim", afirma o especialista em finanças Amilton Dalledoni, professor das faculdades FAE e Falec. "No próprio supermercado já dá para perceber os preços mais caros", completa.
A aparente tranquilidade, ele explica, se deve à trinca Natal, Carnaval e Páscoa, que reaqueceu a economia no Brasil. Ou melhor: segurou o desaquecimento, como prefere dizer. "Digamos que a situação se estabilizou. Mas pode estourar lá na frente, pois muita gente tem se endividado comprando carros, imóveis e aparelhos domésticos", arrisca.
Para Dalledoni, funcionários públicos, bancários e prestadores de serviços pessoais realmente não sentiram a recessão chegar. O mesmo não se pode dizer de setores que dependem de outras empresas. "Quem fornece limpeza, manutenção, matéria prima, entre outros, está vendo seus pedidos serem cancelados o tempo todo", diz.
De qualquer forma, ele admite que a sensação geral é de que tudo não passou de um susto - principalmente entre seus alunos. "Os mais jovens não têm a mínima noção do que é a crise. Talvez porque não viveram a hiperinflação, o Plano Cruzado, o sequestro da poupança...", reflete o professor, que ainda sugere um equilíbrio nos gastos. "Acho que a situação não deve piorar. Mas se você puder esperar para comprar alguma coisa, espere", arremata. (O.G.)





