Waldemar NicleviczA experiência adquirida por Waldemar Niclevicz na escalada do Everest não é útil apenas para alpinistas e aventureiros em geral. Com uma agenda puxada, é comum ele ter que rejeitar convites para palestras

Eles vem de áreas diferentes como cinema, teatro, alpinismo e aventura. Não têm uma formação específica em marketing, economia ou administração, mas estão fazendo sucesso como conferencistas empresariais, falando para platéias formadas por executivos e funcionários de grandes empresas. Eles são os membros de uma nova geração de conferencistas que vem conquistando o mundo dos negócios e recebendo altos cachês por uma hora de palestra. Apresentam uma visão abrangente e uma linguagem mais atraente, diferenciando-se de muitos especialistas.
Com agendas cada vez mais concorridas, estes conferencistas transportam suas experiências para o dia-a-dia das empresas atendendo objetivos variados. Maior motivação no trabalho, métodos para desenvolver a criatividade e os benefícios de um planejamento eficaz são alguns dos temas mais comuns.
A proposta dos eventos que escalam esta linhagem de conferencistas é unir problemas reais com as experiências de terceiros que possam ser úteis para apurar a visão nos negócios. Exemplo deste objetivo, um ciclo de palestras realizado na semana passada no Teatro Fernanda Montenegro, pela Editora Quantum e a Z. Publicidade, contou com uma personalidade que, a princípio, não tem formação ligada ao mundo empresarial, o cineasta Arnaldo Jabor. Pautado pelo tema da falta de criatividade, ele descreveu como o Brasil vem vivendo uma carência de idéias e projetos desde o descobrimento.
Suas colocações abriram uma discussão complementada pelo marketeiro profissional J.C. Bemvenutti, professor da Escola Superior de Marketing, que participou munido com saídas práticas para a questão. Uma explanação completou a outra, revelando a importância do novo perfil de conferencista representado por Jabor, como atesta um dos organizadores, Fernando Carvalho, diretor de planejamento da Z. Publicidade. ‘‘Um analista como o Jabor traz uma visão bem ampla deste tipo de questão’’, acredita. Jabor apóia a idéia de que opiniões de profissionais de outros ramos podem auxiliar muito os negócios. ‘‘Não sou um especialista no lado empresarial. Exponho minha experiência de homem da cultura, o que traz uma idéia do país como um conjunto. Esta visão mais ampla ajuda o empresariado a não pensar só no parcial e no imediato e a encarar todo o contexto político, econômico e social’’, conclui.
Albari Rosa
Pelo comportamento do mercado, muita gente também acredita nisso. Com cachê fixado em R$ 8 mil - o empresário leva 25% -, Jabor realiza em média uma palestra por mês. O número só não é maior pela falta de tempo.
O cachê de um conferencista bem requisitado costuma variar muito. O escritor e psicólogo Roberto Shiniashyki, famoso pelo sucesso de seus livros de auto-ajuda, por exemplo, cobra R$ 6 mil. Já o alpinista Waldemar Niclevicz fatura R$ 4 mil por cada palestra (leia texto ao lado). Os navegadores da Família Schurmann e Amyr Klink também entraram na onda e fazem palestras semelhantes.
Além das conferências e workshops, muitas empresas estão adotando outra forma de se comunicar com os funcionários: o teatro. O Grupo Lanteri, de Curitiba, o mesmo que realiza o espetáculo Paixão de Cristo na Pedreira Paulo Leminski, há cinco anos vem investindo neste ramo. Já realizou 230 apresentações em empresas de porte e em instituições como a Fundação Getúlio Vargas. O repertório inclui onze peças, que abordam desde os princípios da Qualidade Total e atendimento ao cliente até segurança do trabalho e combate ao alcoolismo e AIDS. Cada montagem dura em média uma hora e conta com cerca de dez personagens. Os cachês variam de R$ 900,00 a R$ 2 mil. ‘‘O teatro é uma ferramente muito forte. Usamos o humor e a interação com o público para tornar a compreensão dos conceitos mais fácil’’, explica Aparecido Massi, um dos diretores do Lanteri.

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