Os fascínios da zona rural
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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
Não é só a cidade que atrai moradores da zona rural. O campo também exerce fascínio sobre a população urbanizada. Foi o que aconteceu com o empresário Valdeir Martins. Morador tipicamente urbano, ele seguiu o caminho inverso: de proprietário de uma padaria virou dono de um laticínio. A agroindústria deu tão certo que ele vendeu a padaria na cidade e hoje a família cuida somente do negócio, instalado em uma propriedade de 33 hectares no distrito de Warta.
A idéia de montar o laticínio surgiu há 15 anos como mais uma alternativa de renda para a família. Martins já era proprietário de uma panificadora e, portanto, a intenção era comercializar o leite no próprio estabelecimento. No entanto, a marca DeLeite único leite tipo A fabricado em Londrina foi ganhando mercado e levou a família a ficar apenas com o laticínio. A produção total, de cerca de 800 litros por dia, é comercializada somente em padarias de todas as regiões da cidade.
Temos uma clientela fiel devido à nossa qualidade, afirma Martins. Nestes 15 anos de vida do laticínio foram muitos os percalços. O principal deles foi a consolidação da marca, que teve que disputar mercado com as tradicionais do mercado. No entanto, passados os espinhos, a intenção agora é aumentar a produção para 2 mil litros por dia nos próximos dois anos. A demanda está crescendo e às vezes chega a faltar o leite nas padarias, comemora. A saída encontrada por Martins é uma das mostras de que as propriedades rurais podem ser lucrativas, se houver investimentos e criatividade.
Levantamento feito pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura (Seab), mostra que houve uma redução da renda nas propriedades rurais de Londrina. Em dez anos segundo comparativo entre as safras 96/97 e 2005/06 (último dado disponível) o Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária caiu 8,25%. Em valores nominais a produção do campo caiu de R$ 275.346 milhões (96/97) para R$ 252.629 milhões (05/06). Mesmo assim, Londrina concentra 23% da renda regional (entre os 19 municípios da área de abrangência da Seab).
Segundo pesquisa da engenheira agrônoma Rosângela Zaparoli Vieira, do Deral de Londrina, a riqueza gerada pelo município é dividida entre os grãos (responsáveis por 31% de sua renda total), silagem (15%), aves (13%) e hortaliças e produtos pecuários comerciais (31%). Percebemos que os municípios que diversificaram mais a produção tiveram aumento do valor bruto da produção e a diversificação é importante porque o plantio de commodities é muito sujeito à variação de preços e os outros produtos ajudam na renda da propriedade, observa.
Londrina tem 3.320 propriedades rurais, das quais 2.766 são consideradas médias (até 80 hectares). A agropecuária desempenha importante papel para o crescimento da economia regional até porque o dinamismo do agronegócio tem sido um dos aspectos mais relevantes nos últimos anos, apesar das adversidades climáticas registradas, comenta Rosângela. Por isso, conclui ela, quanto maior o número de cultivos e criações, maiores serão a renda e a arrecadação de impostos dos municípios.


