Não é só a cidade que atrai moradores da zona rural. O campo também exerce fascínio sobre a população urbanizada. Foi o que aconteceu com o empresário Valdeir Martins. Morador tipicamente urbano, ele seguiu o caminho inverso: de proprietário de uma padaria virou dono de um laticínio. A agroindústria deu tão certo que ele vendeu a padaria na cidade e hoje a família cuida somente do negócio, instalado em uma propriedade de 33 hectares no distrito de Warta.
  A idéia de montar o laticínio surgiu há 15 anos como mais uma alternativa de renda para a família. Martins já era proprietário de uma panificadora e, portanto, a intenção era comercializar o leite no próprio estabelecimento. No entanto, a marca ‘‘DeLeite’’ – único leite tipo A fabricado em Londrina – foi ganhando mercado e levou a família a ficar apenas com o laticínio. A produção total, de cerca de 800 litros por dia, é comercializada somente em padarias de todas as regiões da cidade.
  ‘‘Temos uma clientela fiel devido à nossa qualidade’’, afirma Martins. Nestes 15 anos de vida do laticínio foram muitos os percalços. O principal deles foi a consolidação da marca, que teve que disputar mercado com as tradicionais do mercado. No entanto, passados os espinhos, a intenção agora é aumentar a produção para 2 mil litros por dia nos próximos dois anos. ‘‘A demanda está crescendo e às vezes chega a faltar o leite nas padarias’’, comemora. A saída encontrada por Martins é uma das mostras de que as propriedades rurais podem ser lucrativas, se houver investimentos e criatividade.
  Levantamento feito pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura (Seab), mostra que houve uma redução da renda nas propriedades rurais de Londrina. Em dez anos – segundo comparativo entre as safras 96/97 e 2005/06 (último dado disponível) – o Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária caiu 8,25%. Em valores nominais a produção do campo caiu de R$ 275.346 milhões (96/97) para R$ 252.629 milhões (05/06). Mesmo assim, Londrina concentra 23% da renda regional (entre os 19 municípios da área de abrangência da Seab).
  Segundo pesquisa da engenheira agrônoma Rosângela Zaparoli Vieira, do Deral de Londrina, a riqueza gerada pelo município é dividida entre os grãos (responsáveis por 31% de sua renda total), silagem (15%), aves (13%) e hortaliças e produtos pecuários comerciais (31%). ‘‘Percebemos que os municípios que diversificaram mais a produção tiveram aumento do valor bruto da produção e a diversificação é importante porque o plantio de commodities é muito sujeito à variação de preços e os outros produtos ajudam na renda da propriedade’’, observa.
  Londrina tem 3.320 propriedades rurais, das quais 2.766 são consideradas médias (até 80 hectares). ‘‘A agropecuária desempenha importante papel para o crescimento da economia regional até porque o dinamismo do agronegócio tem sido um dos aspectos mais relevantes nos últimos anos, apesar das adversidades climáticas registradas’’, comenta Rosângela. Por isso, conclui ela, quanto maior o número de cultivos e criações, maiores serão a renda e a arrecadação de impostos dos municípios.

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