Os embalos de sábado à noite
A vitrola tocava o hit Macho Man, do Village People, com o som ampliado por várias caixas espalhadas pelo jardim. Bolas de espelho giravam nos galhos das árvores e canhões de luz iluminavam a pista ao ar livre, onde 150 pessoas dançavam incansavelmente há quase seis horas.
A festa, comandada pela curitibana Heloísa Carneiro, 43 anos, aconteceu na efervescência dos anos 70, quando ela e sua família moravam no Rio de Janeiro. Lembro que um amigo meu, o Francisco Dieckmann, dançou tanto que chegou a ter queimaduras no peito, provocadas pela camisa sintética que estava usando, conta ela.
Na época as festas eram comuns, nas casas, clubes ou discotecas. Ao menos uma vez por mês eu e os meus primos íamos para São Paulo, no final de semana, exclusivamente para dançar, conta Heloísa.
A moda era usar um mantô que ia até os pés, shorts, botas e meia-calça arrastão, lembra. No Rio não podíamos usar estas roupas por causa do calor. Lá a moda eram as mini-saias, novidade na época. Logo depois surgiu a micro-saia, que era usada com uma calcinha da mesma cor, combinando.
Além das roupas, a produção incluia uma maquiagem especial, que levava horas para ser feita. Um risco de delineador preto sobre os olhos era contornado por um azul, amarelo ou de qualquer outro tom forte. Na pálpebra, riscos finíssimos de delineador, pintados na vertical, faziam um efeito de sombra dos cílios.
Muitas vezes voltávamos de São Paulo no domingo de madrugada, de ônibus, e íamos direto para a aula na segunda-feira, conta ela, que na época era estudante de segundo grau. Hoje Heloísa é economista e trabalha, em Curitiba, na área de eventos.
Alguns finais de semana em que vinha para cá, ela lembra que ia a uma discoteca enorme que havia na Rua Brigadeiro Franco ou na boatinha do Clube Curitibano, que era o máximo.
Heloísa explica que atualmente não consegue mais usar absolutamente nada do que foi moda naquela época. Acho que eu curti tanto aquela fase, tão intensamente, que não preciso resgatar o tempo perdido, acredita.
Ao contrário das roupas, entretanto, as músicas são bem vindas para a economista, que confessa que ainda curte ouvir e dançar o melhor da discoteca.





