Os clientes pedem pela Bem Bolada
O concurso é organizado há 25 anos pelo fotógrafo Mario Fernandes Nery, 61. Foi o seu irmão Jurandir, falecido em 1984, que começou o Bem Bolada ao lado de Antonio Viera, o Barriga, falecido anos antes de Jurandir. Ambos trabalhavam em um jornal popular da cidade e tiveram problemas de relacionamento com os organizadores do Gala Gay, tradicional baile que era realizado no Clube Operário.
O primeiro Bem Bolada aconteceu na então sede da Sociedade Batel, na Francisco Rocha. Passou por vários endereços e chegou a ter um concorrente: o Kibolada, realizado nos anos 1990 pelo já falecido Antonio Carlos Gaio. "Dois concursos não cabem na cidade", entende Nery.
Este é o sexto ano em que é realizado na Crystal. "No começo, muitas mulheres que iam ver usavam máscaras para não serem reconhecidas. Sempre teve essa presença feminina na plateia." Nery chegou a organizar uma edição do Gala Gay na década de 1980, mas não conseguiu ressuscitar a franquia.
Afirma que se existisse controle de qualidade na seleção de candidatas, o Bem Bolada não aconteceria. Além disso, diz que, em boate, tem gosto para tudo. Hoje o concurso tem o patrocínio de uma casa (a Panthers House) e diversos apoios, entre eles o de uma marca de cerveja e outra de uísque. "Muitas vencedoras arrumaram um bom casamento e convites para trabalhar em comerciais em São Paulo. É comum o cara chegar na boate e querer a Bem Bolada", conta.
Nery cita que algumas mulheres preferem não participar, para não aparecer por causa de suas famílias. E que muitas casas sabem que suas candidatas não têm condições de ganhar, mas pedem que se inscrevam para divulgar o nome das boates. A categoria modelo permite a inscrição de meninas que trabalham apenas por conta própria, através de sites de Internet.
Pergunto ao organizador se uma mulher que não faz programa poderia participar. "Até pode. Mas e se o cara chegar e der a cantada e ela diz que não é da noite? Daí tá no lugar errado", resume. (R.U.)





