Os barões de Curitiba
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Marcela Rocha Mendes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - De que família você é? Qual o seu sobrenome? É provável que todo morador de Curitiba já tenha ouvido uma dessas perguntas ao menos uma vez. Silva, Santos, Rodrigues, Costa, Jesus... e o questionador levantará a sobrancelha, tentando associar o nome ao de uma família tradicional da cidade. Marques, Pereira, Abreu, Guimarães, Correia, Ribas, Macedo, Leme, Beltrão, Leão... ''Ah, você é sobrinho de fulano?''.
A história das famílias tradicionais de Curitiba, ou dos curitibanos ''de berço'', é toda interligada por matrimônios. Aqueles conhecidos nomes de ruas e de praças muitas vezes dividem um mesmo documento de identidade ou certidão de casamento e nascimento. É o caso de Francisco Fernando Fontana, descendente do Barão de Serro Azul (Ildefonso Pereira Correia), do Comendador Fontana e de Pedro Alois Scherer, casado com Theresa Cristina Ribas Fontana, neta do interventor do Paraná, Manoel Ribas.
As várias árvores genealógicas guardadas pelo casal, entre elas dos três casamentos do Comendador e dos decendentes da Baronesa, reúnem nomes como Wallbach, Gutierrez, Guimarães, Bley, Lustosa e Carnasciali. A epopéia da família no Paraná começa no século XVIII, quando Manoel Francisco Correa, avô do Barão do Serro Azul, veio ao Estado que ia apenas do Litoral ao 2º Planalto e precisou brigar pela separação do Paraná de São Paulo.
Já o Comendador Fontana recebeu uma Comenda da Rosa por ter drenado a área onde hoje está o Passeio Público, pedido do Presidente Taunay. Como ele usou do próprio dinheiro para a obra, recebeu o terreno em pagamento. Mas, após reivindicação dos moradores, resolver reabrir as portas, dando assim o nome do ponto turístico da região central de Curitiba. Seu neto, Fido Fontana, trouxe o primeiro automóvel da cidade, em 1904.
O Barão era amigo de Manoel Ribas e hoje os netos formaram mais uma família conhecida na cidade. Mas, segundo Francisco Fernando Fontana, integrante de um clã que inclui seis gerações de Franciscos, a ''tradição'' dos casamentos entre os sobrenomes conhecidos já não existe mais.
''Mesmo a chamada 'elite' tradicional se perdeu. Hoje existe uma nova elite de médicos, políticos, juízes etc.'' E os bens dessas famílias fundadoras? ''É como a história dos 'Ossos do Barão': em muitos casos, só sobraram os ossos'', conta Francisco Fontana.


