Oposição não terá lugar para dois nomes
Curitiba - Até agora, existem três nomes colocados para concorrer ao governo do Estado em 2010, ainda que a confirmação deles dependa de um desdobramento que pode terminar até na véspera da disputa: Beto Richa (PSDB), Osmar Dias (PDT) e Orlando Pessuti (PMDB). O atual prefeito de Curitiba, Beto Richa, foi o único entre os três que publicamente ainda não se declarou candidato em 2010, em parte porque acaba de ser reeleito para a Prefeitura de Curitiba. Ao mesmo tempo, foi o próprio resultado das urnas no último dia 5 que o joga como um nome forte para o próximo pleito. Reeleito com quase 80% dos votos válidos no início de outubro, Beto se consolidou como uma liderança da nova geração, na opinião do cientista político Ricardo Oliveira, ainda que seu perfil represente um desdobramento do grupo de Jaime Lerner.
Beto pertence a uma legenda com força nacional, que terá candidato próprio à presidência da República. Ele deve conquistar mais apoios para 2010, disse Oliveira. O fato de pertencer ao PSDB o coloca também em vantagem em relação a Osmar Dias, que disputou o governo do Estado em 2006, perdendo no segundo turno para Roberto Requião, por menos de 11 mil votos de diferença. Na segunda fase das eleições, Beto declarou apoio a Osmar, o que foi retribuído agora, no pleito de outubro. Ambos passaram a integrar, portanto, a chamada frente de oposição no Estado, que uniu PSDB e PDT, mas também agregou siglas como DEM, PPS e PP.
A aliança entre as duas legendas, entretanto, inviabilizaria a candidatura de Osmar, na opinião de Oliveira. Osmar está mal posicionado e agora procura espaço. A tendência é que ele se aproxime dos partidos que integram a base de apoio do governo federal petista, já que o PDT, nacionalmente, está na base aliada. Se ele optar pela candidatura de centro-direita, enfrentará dificuldades, pois já é o espaço ocupado por Beto Richa, explica ele. Nos bastidores, o PT já sinalizou que pode conversar com Osmar. Por outro lado, membros da frente de oposição garantem que há possibilidade de um entendimento entre Beto e o pedetista.
Já o senador Alvaro Dias (PSDB) também não descarta a possibilidade de sair candidato ao Executivo em 2010, mas o fortalecimento de Beto naturalmente o enfraquece dentro da legenda. Alvaro passou para um plano secundário dentro do PSDB e agora está esperando para ver o que acontece. Outro obstáculo para Alvaro é o próprio irmão, Osmar. Ambos já declararam que não disputam o mesmo cargo. Segundo o cientista político, se Osmar ficar fora da disputa, Alvaro pode até se aproximar do PMDB.
PMDB e PT
Até agora, o PMDB se apresenta com um único nome para 2010, Orlando Pessuti, atual vice-governador do Estado. Pessuti ainda não tem densidade eleitoral e o PMDB em 2010 vai enfrentar dificuldades, disse Oliveira, em referência ao fato do partido ter perdido nos grandes e médios centros do Paraná nas eleições de outubro, apesar de ter conquistado a maioria das 399 prefeituras do Estado. É complicado porque os partidos têm que ter grandes referências.
Já o PT no Estado não conquistou o crescimento esperado no último pleito, mas segue como uma legenda forte nacionalmente. Ao contrário do que ocorreu no restante do País, a base do presidente Lula (PT) no Paraná não se saiu bem. Por outro lado, ninguém aqui ganhou eleição falando mal do governo federal, que vive um bom momento. O próprio Beto Richa, em seu programa na TV, agradeceu as parcerias.
Segundo o cientista político, o PT agora deve investir em seus quadros. Questionado se ainda haveria tempo para a sigla lançar candidatura própria em 2010, Oliveira foi enfático: O PT vai ter que construir um nome para o futuro. Paulo Bernardo e Jorge Samek estão afastados da política regional. Em Londrina, o PT de André Vargas saiu derrotado. Gleisi Hoffmann deve sair candidata a deputada estadual ou federal e Flávio Arns, apesar de estar enfraquecido dentro do PT, pode tentar o Senado. Ou seja, não existiriam nomes para o Executivo.
A candidatura própria do PT ao governo do Estado, segundo ele, seria justificada se houvesse necessidade de construir um palanque regional para os demais candidatos do PT nas eleições. (C.S.)





