Oportunidade no início da vida
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 06 de agosto de 2008
Diogo Cavazotti<br>Equipe da Folha 
Participar de um projeto com garantia de emprego e renda. Essa é a vontade de milhares de adolescentes que procuram todos os anos o projeto Guarda Mirim, do Centro de Integração Comunitária Diva Pereira Gomes. Para a turma que começa no ano que vem as inscrições já terminaram. Durante apenas um dia, 2,5 mil pessoas disputaram as 400 vagas disponíveis. A fila começou a se formar de madrugada.
Catarina Santos foi uma das que enfrentou a fila. Ela participou do projeto quando jovem e levou a enteada Kleiciely Cristina dos Santos para se inscrever. Quando foi guarda mirim, Catarina conseguiu trabalho em uma multinacional e através disso cursou uma faculdade. Os convênios que eles têm com as empresas geram experiência para os participantes, conta. Agora ela torce que Kleiciely consiga a mesma oportunidade.
O projeto que forma guardas mirins existe há 45 anos. Nivaldo Vieira Lourenço dirige o centro de integração desde 2004. Neste período 5 mil adolescentes já passaram por lá. O critério na hora de fazer a inscrição é que os candidatos tenham 14 ou 15 anos, façam parte de famílias carentes ou em vulnerabilidade social e desestruturadas e estejam matriculados em alguma escola.
Quando o jovem entra é identificado como aspirante. Nos primeiros seis meses ele participa da pré-aprendizagem com disciplinas de comunicação, cidadania, artes, educação física, matemática, entre outras.
As atividades são feitas em paralelo com a escola. Os guardas mirins vão até a sede do centro de integração de segunda a quinta. Depois do período de pré-aprendizagem o participante é encaminhado para uma das 155 empresas conveniadas, mas continua por mais dois anos no projeto.
O guarda mirim tem atividade durante os três períodos do dia, já que freqüenta o colégio, o centro de integração e o trabalho, explica Lourenço.
No emprego os salários variam entre R$ 373 e R$ 579, com direito a férias e 13º salário. São 20 horas semanais de trabalho e mais dez horas no centro de integração.
Quando entram nas empresas, os adolescentes passam a integrar o programa de funcionários aprendizes. Aproximadamente 45% dos jovens são efetivados ao término do programa.


