Opiniões que fazem diferença
A distância não é empecilho para um outro assíduo colaborador da seção de cartas. Habib Saguiah Neto, bancário aposentado de 45 anos, mora em Marataízes, no interior do Espírito Santo. Ele lê a Folha na internet e usa o correio eletrônico para escrever. Para Neto, a aposentadoria significou mais tempo para se interessar pelos problemas da comunidade: ''Quando escrevo, meu propósito é colocar nas cartas muitas vezes o que a própria imprensa não pode dizer; como leitor, a gente tem mais liberdade para falar o que pensa e o que sente'', explica.
Outro que escreve de longe é o engenheiro agrônomo Yochiharu Outuki, 45 anos, que mora em Itambaracá (46 km a leste de Cornélio Procópio) e trabalha em Cambará (22 km a noroeste de Jacarezinho). Assinante e leitor assíduo, Outuki usa o espaço do jornal para compartilhar informações: ''Minha idéia é esclarecer as pessoas. Às vezes a gente tem alguma informação que a matéria não tem. Eu acho que ninguém deve guardar conhecimento só para si'', pondera. Diretor da cooperativa Coopramil, Outuki diz que comenta muito as matérias do jornal com os companheiros de trabalho: ''Quando eu comecei a escrever, anos atrás, eram sempre os mesmos que mandavam cartas. Hoje, muito mais gente participa'', observa.
E para quem ainda duvida que as cartas têm ''poder'', uma das correspondências de Outuki sobre a CPI do Banestado acabou sendo anexada ao processo do Ministério Público contra ex-diretores do banco. Uma outra carta, lamentando o fim das aulas de informática nas escolas públicas, sensibilizou um deputado estadual: ''Ele me escreveu dizendo que concordava com a minha opinião e prometeu apresentar um projeto na assembléia recuperando a matéria nos currículos das escolas''.





