Nascido na cidade de Campo Largo, na região metropolitana de Curitiba, dom Celso Antônio Marchiori, 52 anos, trabalha em Apucarana desde outubro de 2009. Segundo ele, o período de pouco mais de um ano à frente da diocese, que congrega 64 paróquias - a primeira missão de dom Celso como bispo - já foi suficiente para que possa sentir-se um bom apucaranense. ‘‘O povo daqui é muito acolhedor’’, relata. ‘‘Uma das dificuldades foi a adaptação ao clima. As cidades ao Norte de Apucarana, como Lobato, Santa Fé e Colorado são quentes demais. O interessante é que as cidades ao Sul, como Ivaiporã e Ariranha do Ivaí são mais frescas. Apucarana, por ser alta, tem um vento agradável que lhe dá um clima mais ameno, parecido com o da minha terra natal’’, complementa o bispo, que roda, segundo suas estimativas, em torno de mil quilômetros por semana para visitar todas as paróquias da diocese.
Convidado pela FOLHA a enumerar as maiores virtudes da cidade, dom Celso opina que a religiosidade, não só dos católicos, é ponto a ser destacado. ‘‘Trata-se de um povo religioso’’, enfatiza. ‘‘Percebo também que os cidadãos de Apucarana são muito trabalhadores. É difícil encontrar pessoas ociosas’’, acrescenta.
Sobre quais seriam os defeitos, ele prefere falar em um desafio; que é comum a quase todas as cidades do Paraná. ‘‘É a questão das drogas. Dá um dó! É uma pena, sinto compaixão de ver a nossa juventude se acabando nas drogas. Começando pelo álcool, pelo cigarro e chegando às drogas mais pesadas. Hoje, estamos enxugando a água que pinga da torneira estragada, mas não consertamos a torneira. Quem a traz a droga para cá? Alguém está enriquecendo às custas da desgraça dos jovens e de muitas famílias’’, indigna-se o bispo, destacando que, na sua opinião, as pessoas procuram as drogas, principalmente, por uma questão de afetividade. ‘‘As pessoas estão com a afetividade ferida, em relação à vida familiar, por exemplo; mas alguém está trazendo as drogas como solução, o que não é certo’’, lamenta.
Sobre o aniversário comemorado hoje, ele diz que é uma boa ocasião para reflexão. ‘‘É um bom momento para olhar para trás, avaliar o que foi feito de positivo até aqui e quais foram os erros. Ao mesmo tempo, devemos olhar para o futuro e traçarmos metas de trabalho em favor da vida, em todas as suas dimensões’’, finaliza.

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