Ônus da fama é risco que requer cuidados
No sonho de Moysés Leônidas (PDT), eleito deputado estadual na última eleição, a Londrina de 2000 será uma cidade que avançará ainda mais na industrialização e na prestação de serviços, mas, alerta, é preciso ter cuidado para que a cidade não sofra o mesmo que vem sofrendo Curitiba. Londrina vem sendo cantada em verso e prosa como um lugar onde a qualidade de vida é muito boa. E é realmente. Aqui até os mendigos que vivem de esmola estão melhor do que em outros lugares. Essa propaganda também é um ônus que precisa ser administrado.
Entre as alternativas para que a cidade cresça de forma homogênea, com qualidade de vida, Moysés cita a necessidade de preparar mão-de-obra qualificada para ocupar as vagas que as novas empresas estão oferecendo. Ou fazemos isso para profissionalizarmos a mão-de-obra e gerarmos melhores salários ou então corremos o risco de ver, a cada dia, novas invasões de terrenos por pessoas que nào ganham o suficiente nem para para o aluguel de uma casa, afirma.
A questão do inchamento da cidade é muito séria, e também preocupa o vereador Renato Araújo (PPB). Ele sugere até uma triagem para pessoas que chegam. Da mesma forma como é feito em muitos países, as pessoas fariam um cadastro para que as autoridades pudessem saber de onde elas vieram e quais suas intenções. Seria mais fácil para reconduzí-las às suas cidades de origem.
Araújo não considera que seja discriminatória essa ação, e justifica: Essas pessoas não transferem o título de eleitor para cá. E não é uma questão de votos. O que acontece é que o cálculo para o repasse da parcela de ICMS, por exemplo, é feito com base no número de habitantes da cidade e de eleitores. Ou seja, a cidade de origem dessas pessoas que não transferem o título de eleitor é que ficam com a verba e Londrina com os problemas. Veja só: hoje estamos construindo oito postos de saúde e o Pronto Atendimento Infantil e a demanda já é maior. Estamos construindo mais 10 escolas e a demanda já está superada. Por isso temos que pensar seriamente nesse assunto, diz Araújo.
O vereador Célio Guergoletto (PMDB) também está preocupado com a cidade que haverá em 2000, principalmente no que se refere ao sistema viário. Hoje estamos vendo a prefeitura fazendo diversas obras viárias, mas me parece que são soluções paliativas. Não se está atacando o problema como se deveria. É necessário que o sistema viário seja dinamizado, com duplicação de ruas e avenidas, construção de canaletas especiais para ônibus, viadutos e outras soluções como estacionamentos subterraneos. O que está sendo feito hoje parece muito bonito mas não irá resolver, diz Guergoletto.





