Em maio deste ano, o palco do Operário voltou a ser pisado por saltos altíssimos durante a terceira edição do Miss Trans, que reuniu 16 concorrentes. O evento, realizado pela primeira vez no clube, cedido para a ocasião, foi promovido pelo Grupo Dignidade e pelo Transgrupo Marcela Prado, organizações não-governamentais que atuam na defesa dos direitos de homossexuais e transexuais.
Além de tentar reviver um pouco do glamour dos antigos carnavais do Operário, ou melhor, do Ópera-Rio, outro objetivo dos organizadores foi resgatar a auto-estima do público participante. Paralelamente ao evento, que reuniu cerca de mil pessoas, foi realizada uma campanha de prevenção à aids e doenças sexualmente transmissíveis.
Rafaelly Wiest, de 24 anos, vice-presidente do Transgrupo, estava lá para distribuir panfletos, mas acabou a noite sendo homenageada como Miss Simpatia. ''Eu não fui preparada para participar, mas minha roupa chamou a atenção, o pessoal gostou e me colocou lá no palco'', conta ela, que cresceu ouvindo as histórias sobre a fama do Gala Gay do Operário.
Presidente do Transgrupo, Samantha Wolkan já prepara a quarta edição do Miss Trans.''Nosso grupo sempre foi visto como festeiro, mas usamos isso para acolher as pessoas que vêm nos procurar. Por isso esse concurso é tão importante para nós'', destaca.
A realização do Miss Trans 2008 no Operário ainda é dúvida. Embora nos últimos meses, o lugar tenha sido alugado para diversos eventos, inclusive bailes funk, a direção do clube não confirma se esse procedimento será mantido. ''O objetivo não é alugar o espaço, essa não é a rotina'', informou Cleide Avelino, diretora do Novo Operário. (L.X.)

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