Sem água, sem comida, sem assistência e ainda confinados em espaços onde mal conseguem se mexer. De acordo com as entidades de defesa dos direitos dos animais em Curitiba, é nesta situação que se encontra a maioria dos cães de guarda alugados a custos que variam de R$ 200,00 para fazer a segurança de residências desocupadas ou edifícios em construção. Os ativistas consideram que deixar os animais assim, em situação semelhante a abandono, é um ato de crueldade, que já teria resultado na morte de alguns deles. O caso mais recente foi o de uma fêmea da raça rotweiller encontrada morta no bairro Cajuru, vítima de maus-tratos.
De acordo com a Associação do Amigo Animal, mesmo quando os cães recebem água e comida, as quantidades são inferiores às suas necessidades, e os animais chegam a ficar mais de uma semana sem serem alimentados. ''Somos contra o uso de animais, pois respeitamos, por princípio, que todos eles têm direito à vida, à liberdade e à expressão de suas características básicas de espécie. Recorremos às leis existentes em nosso País para buscar a defesa dos direitos dos animais envolvidos nesta atividade de aluguel para guarda'', afirma a presidente da SOS Bicho, Rosana Gnipper, que, diariamente, recebe, por telefone ou e-mail, pelo menos duas denúncias sobre abandono de cães de aluguel. Em 2006, a ONG registrou 264 casos.
Para tentar impedir essa atividade, que vem sendo praticada na capital há cerca de 10 anos, as entidades de defesa dos animais lembram que o artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais, de fevereiro de 1998, tipifica maus-tratos como crime.
Com base na lesgislação, as ONGS que defendem os direitos dos animais querem o fechamento das empresas que alugam cães de guarda por entenderem que uma possível regulamentação do setor não seria suficiente para coibir as situações que colocam os animais em risco.
Mas, segundo o empresário Jair Pereira Pinto Jr., proprietário da Feroz Cães de Guarda, que mantém 600 animais alugados a empresas, indústrias e residências de Curitiba e Região Metropolitana, ainda que o poder público decida pelo fechamento das empresas, a atividade será mantida. ''Eu mesmo que tenho um negócio lícito, pago impostos e mantenho 20 funcionários, seria obrigado a ir para a clandestinidade. Não vou parar de trabalhar com cães. A regulamentação é a saída'', afirma. Ele nega as denúncias de que sua empresa exponha os animais a riscos e maus-tratos. ''Os motoqueiros levam comida todo dia, ou dia sim, dia não, dependendo da situação, e também mantenho um veterinário'', diz.
Atuando neste mercado há oito anos, ele responsabiliza as empresas clandestinas pelas ocorrências de maus-tratos.''Meu cliente não permitiria que o cão fosse maltratado, ele é o maior interessado em que o animal esteja bem para guardar seu patrimônio'', argumenta. Jair Pereira considera o posicionamento dos ativistas meramente pessoal. ''Eles são contrários ao trabalho de qualquer animal. Se for assim, os cavalos também terão de deixar de trabalhar no Jockey Club e nos haras'', comenta. A polêmica parece estar apenas começando.(L.X.)

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