Trocar o trabalho embaixo de um lona por um barracão foi só uma das conquistas dos integrantes da ONG Esperança, na Vila Marízia, uma das favelas mais violentas da cidade, onde 18 famílias vivem da reciclagem de lixo.
Em Londrina existem 30 ONGs de reciclagem de lixo, gerando entre 450 a 500 empregos diretos, entre coletadores, separadores e vendedores de material reciclado.
A ONG Esperança tem uma produção mensal de 12 mil sacos de lixo coletados, o que rende para cada integrante uma renda por mês de até R$ 400,00. O trabalho mudou a vida de mulheres, como Fátima da Silva, 41 anos.
A recicladora ilustra a realidade de outras moradoras da comunidade, que estão com os maridos desempregados, presos ou que sofrem com a dependência do álcool e das drogas.
Mais de 80% dos integrantes da organização são mulheres, sendo que 50% desse percentual são analfabetas.
Mãe de cinco filhos, ao resgatar a auto-estima, através do trabalho, Fátima quis trocar até o documento de identidade, já que na documentação antiga exibia apenas a digital do polegar. ''Só aprendi assinar o meu nome, mas isso mudou muito a minha vida, principalmente o que ganho todo mês'', destaca a recicladora, que depois de fazer parte da organização, conseguiu comprar cama, máquina de lavar, televisão e fogão.
Oito anos de fundação representam também novos desafios a serem enfrentados pela ONG. ''É importante ressaltar que a gente saiu de uma situação em que fazíamos o nosso trabalho embaixo de uma lona, perdendo muito material por causa do barro. Nesses anos conseguimos uma estrutura mínima para que as pessoas trabalhem com reciclável de uma maneira mais digna'', afirma a presidente e coordenadora da ONG, Verônica Cardoso Costa.
A presidente da organização enumera várias mudanças na comunidade, desde a fundação: ''Tínhamos várias mulheres que antes de trabalharem com a reciclagem furtavam em supermercados e lojas ou eram usuárias de drogas. Temos uma que acolhemos que acabava com tudo em casa para consumir drogas, inclusive a comida das crianças. Graças a Deus, há ano ela está com a gente. Hoje, outra que furtava, é responsável por fazer os pagamentos. Entregamos o cheque nas mãos dela, que tem responsabilidade e paga tudo direitinho'', afirma Verônica, acrescentando que as mudanças se estendem à favela.
Ao conscientizar os moradores sobre a importância da reciclagem, a ONG está conseguindo com que os moradores mantenham a região mais limpa. ''O bairro por mais que seja violento, as pessoas têm respeito pelo nosso trabalho. Desde que começamos não houve nenhum roubo no barracão'', conclui Verônica.(F.L.)

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