O Natal de 1995 foi um marco para Curitiba. Os moradores da Rua Elbe Pospissil, no Juvevê, uniram forças e o desejo não só de decorar o interior e as fachadas das casas com motivos natalinos, mas o curtíssimo logradouro. ''Comentei com um vizinho o meu desejo de enfeitar nossa rua, e rapidamente todos compraram a idéia. A Prefeitura colaborou cedendo uns laços e luzes antigos, colocamos estrelas nos postes e eu pintei umas bolas grandes de isopor para colocarmos nas árvores'', lembra a paisagista Eliane Jensen Leichsenring, 58 anos, moradora da Pospissil há 36.
Dali em diante, só aumentou o capricho. Em 1996, a rua ficou toda iluminada. Já em 1997 veio o portal destacando a decoração natalina, sem igual em toda Curitiba. ''Coloquei uma guirlanda branca e vermelha no portal, e todas as árvores, plantinhas, muros foram decorados. Colocamos bonecos, Papai Noel, laços, pinheirinhos. Nosso entusiasmo era tão grande que aqui ficou conhecido como a Rua do Natal'', conta Eliane, que acredita ter contagiado moradores de outras ruas a seguirem o exemplo da Pospissil. Curitiba ganhou um circuito natalino, premiação para as casas e ruas mais belas e divulgação na mídia.
''Os turistas tiravam fotos, corais se apresentavam aqui, as famílias se emocionavam e as crianças ficavam eufóricas. Criaram até uma linha de ônibus do Natal'', resgata a paisagista. Curitiba avançava, então, em busca do posto de ''Capital do Natal'', ''Capital da Luz''. ''Em 2002 foi o último ano que decoramos a rua. A Copel dava um desconto na conta de energia, mas os patrocínios foram sumindo, os vizinhos perdendo o entusiasmo, outros reclamavam muito da intensa visitação e a decoração encareceu muito'', elenca.
''No ano passado, me entristeceu ver como a cidade perdeu muito disso. Estamos no Sul, Curitiba deveria ser mais iluminada. O que custa um toque de Natal, colocar um jogo de luzes na sacada. As pessoas não estão nem aí. Daqui a pouco Curitiba escurece de vez'', lamenta Eliane, que precisa de um mês para decorar a parte interna e externa da sua casa, e precisa repor, todos os anos, um terço dos enfeites natalinos que quebram, desbotam ou são depredados. Nesse ano, apenas a casa de Eliane e do filho estão decoradas na Pospissil.
A rua Abel da Silva Almeida, em Santa Quitéria, que, em 2006, chegou a ser visitada por 3 mil pessoas, em um único dia, ainda apresenta tímida decoração natalina. Há morador que nem tirou os enfeites guardados no armário. ''Desde 2007, sinto um desânimo geral com o Natal, poucos vizinhos fizeram decoração. Os meus netinhos é que estão ansiosos para enfeitar a nossa casa e vão me ajudar a arrumar tudo para a semana do Natal. Estamos atrasados'', disse a aposentada Miriam Nogueira, 55 anos, que instala só de luzes mais de 6 mil na fachada da casa.
Há cinco anos, segundo ela, os vizinhos decoram as residências e não se importam em pagar a conta de energia duas vezes mais cara no mês seguinte. ''A noite fica clara, ilumina nossa rua, dá uma sensação muito boa na gente, de celebração. Meus netinhos se vestem de Papai Noel e a família fica reunida. Sem decoração, as crianças acham que não existe Natal'', resume Miriam.
Igrejas - O secretário municipal de Turismo, Luiz de Carvalho, defende que Curitiba nunca esteve tão iluminada desde 2005. ''Se você circular pela cidade, vai encontrar novidades nos hotéis, árvore de natal na Rua XV, Fábrica do Papai Noel na Santos Andrade, o Castelo do Batel decorado, o evento no Palácio Avenida e um inédito circuito religioso com 11 igrejas iluminadas, como a Catedral de Curitiba. Não há recurso público específico para colocar luzes na cidade, mas a Prefeitura firmou parcerias para esse fim'', explica.
''Sabemos que nem toda dona de casa tem condições de decorar sua casa, mas nem por isso sinto a população desmotivada. Sem falar que a cidade tem uma programação intensa de eventos natalinos'', completa o secretário. A assessoria de imprensa da Prefeitura informou que o município privilegia o ''Natal Solidário'', programa que arrecada presentes novos para crianças carentes. A previsão é que sejam atendidas 50 mil crianças, neste ano.

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