Um mal iluminado túnel de 35 metros liga duas plataformas do Terminal do Capão Raso, na região Sul de Curitiba. Passar por ali depois das 5 da tarde exige coragem. Muita coragem. ''Eu não passo, ou espero juntar bastante gente para atravessar. Já vi muita gente ser assaltada'', conta a diarista Edinéia Silveira. O problema é recorrente e não se resume apenas ao corredor. Por toda a extensão do terminal, passageiros andam apressados, para vencer o atraso e os perigos que podem estar a cada metro, atrás de cada ponto, de cada ônibus. ''No fim da tarde enche de maloqueiro, é péssimo. E de sábado é pior ainda, porque o movimento é menor. Dá até medo ficar aqui'', revela o recepcionista de hotel Odair Chemin Filho.
Uma tentativa de mudar a realidade do local está sendo proposta na Câmara Municipal de Curitiba: a instalação de câmeras de vigilância, no Terminal e no Shopping Popular, que fica ao lado. A idéia é levar para vários pontos da cidade o que ajudou a diminuir os índices de criminalidade da Rua XV, no Centro. Instaladas em 2000, as 14 câmeras possuem zoom que permite a aproximação de até 200 metros nas imagens, além de girarem em um ângulo de 360 graus.
Para o vereador Tico Kuzma (PPS), autor da proposta de emenda ao orçamento, a intenção é que o projeto seja piloto e se espalhe para outras ruas e terminais. ''Nós observamos a preocupação dos usuários do terminal, com arrastões em finais de semana, por exemplo, e queremos que as imagens sirvam para inibir e também como prova de reconhecimento dos participantes destes crimes. Hoje grande parte da violência ocorre por causa da certeza da impunidade. Com essas provas, esperamos ter mais punição e consequentemente uma diminuição da violência'', analisa.
Para o tenente coronel Jorge Costa Filho, chefe da Comunicação Social da Polícia Militar - responsável pelo monitoramento, a tendência é expandir cada vez mais o uso da tecnologia no combate ao crime. ''As câmeras, por exemplo, ajudam bastante. Você pode gravar imagens e usá-las como prova, além de enviar viaturas com objetividade para um determinado ponto onde uma situação está ocorrendo'', opina. Além de orientar o trabalho, o tenente coronel aposta que o sistema de vigilância inibe a ação dos marginais. ''Ele fica com um pé atrás, porque não tem a certeza se está ou não sendo observado. Acaba sendo uma arma na prevenção, o que é bastante importante'', argumenta.
A sensação de segurança e a possibilidade de evitar furtos e assaltos também são defendidas pelo motorista Anderson Massuchetto, usuário do Terminal do Capão Raso. ''Utilizo aqui todos os dias e a insegurança é muito grande, você vê vários assaltos no fim da tarde. Um equipamento desse é importante, desde que funcione, claro'', opina. A pensionista Maria Santa Bertuzzi concorda. ''Do jeito que estamos, sem liberdade de ir e vir, qualquer ação ajuda. Olha aqui em volta. Você está vendo algum guarda? Não tem. Por isso acho que pode ser uma boa idéia, desde que auxiliada com um melhor policiamento'', defende. Para o estudante Mateus Rodrigues, a identificação de possíveis marginais é a grande vantagem do sistema. ''Devem ser sempre as mesmas pessoas, então, com a identificação, acho que tende a diminuir'', prevê.
Quem também torce pela instalação das câmeras é Jorge Luiz de Souza, um dos responsáveis pela fiscalização do comércio no terminal. Trabalhando há seis meses no local, já sofreu pequenas ameaças, viu companheiros sendo agredidos e afirma que, após as 4 da tarde, não dá para usar o banheiro do terminal. ''Uma vez abordamos um cidadão e ele ameaçou: 'amanhã é melhor você não vir trabalhar'. Isso é complicado e preocupa. Mas são situações que devem diminuir com essas câmeras'', acredita.
Segundo o vereador Tico Kuzma, a emenda ao orçamento já foi aprovada e uma reunião foi marcada com a Urbs (Urbanização de Curitiba) para estabelecer o projeto. A expectativa é que até o final do ano as câmeras do Terminal do Capão Raso e do Shopping Popular já estejam em atividade.

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