Olhar daqui e de fora
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quarta-feira, 25 de março de 2009
Rafael Urban<br> Equipe da Folha 
Fernando Severo, 51, demora uns bons minutos até citar todos os prêmios que, recorda, foram outorgados aos seus alunos no ano passado. Supervisor acadêmico do curso de cinema do Centro Europeu e professor do CinetvPR, de graduação na área, Severo é mais um talento estabelecido que convive com os mais jovens. Se a efervescência é notável em outras áreas, não escapa do cinema: são mais de dez longas-metragens em produção na cidade, um recorde.
"Vejo tudo com muito otimismo; comparativamente nunca esteve tão bom", afirma Severo. O próprio está envolvido em diversos projetos e jamais teve um público tão grande - os sete episódios que fez ao lado de Beto Carminatti para o Casos e Causos, da RPC, são um exemplo disso. Ele chama os anos Lerner de um apagão cultural e entende que a Lei Municipal de Incentivo à Cultura, de meados dos 1990, ajudou a traçar um novo panorama, permitindo que jovens talentos como Felipe Hirsch, no teatro, e Marcos Jorge, no cinema, despontassem.
Isso tudo aliado à pressão das entidades de classe que, em sua opinião, estavam pouco ativas nos anos 1980. "Durante muito tempo o cinema paranaense não tinha uma imagem positiva nacionalmente. Mas isso mudou e hoje temos uma vitalidade cinematográfica impressionante", comenta. Entre os destaques, estão jovens da primeira turma do CinetvPR, que se formam este ano. Fábio Allon, 30, foi aluno de Severo e já participou, como diretor de arte, de trabalhos de Paulo Biscaia e Pedro Merege. "Encurta os caminhos. É um encontro que funciona e ajuda a abrir as portas", comenta o jovem, que acumula prêmios no currículo.
Bolsa
Nas artes plásticas, a Bolsa Produção, incentivo anual para 12 artistas, cujo resultado da terceira edição está em exposição no Memorial e no Solar do Barão, é um dos destaques dos últimos anos. "A Fundação Cultural carimba uma folha em branco, patrocinando a produção e promovendo a criatividade do artista", comenta Felipe Scandelari, 27, que participou da segunda edição. Notavelmente talentoso, o pintor e desenhista foi um dos paranaenses selecionados este ano pelo Rumos, do Itaú Cultural. Com o apoio do programa, suas obras foram vistas em São Paulo e seguem para Rio Branco, no Acre, e Rio de Janeiro.
Scandelari, artista em tempo integral, toca em um ponto central. "Eu posso produzir aqui, mas viver do que produzo é impossível só aqui." Como em sua opinião existe uma defasagem no comércio de arte na cidade, a alternativa é vender em galerias de outros estados.
O profissional que se identifica como iniciante - ainda que se dedique à pintura desde os 17 anos - vê potencial nas novas gerações, que entende como menos românticas e mais ligadas à arte contemporânea, e encontra interlocutores entre seus amigos mais próximos. Por fim, resume. "Não existe tanto desenvolvimento cultural em nossa cidade, mas isso está melhorando um bocado", diz. "A geração seguinte será educada de um modo muito diferente do qual fomos pelo nossos pais."
Maamute
Tem nome de um animal da idade do gelo uma das iniciativas mais vivas e energéticas que apareceram recentemente na música local. A Maamute Produções, composta pela produtora Andressa Andrade, o produtor artístico André Ramiro e o assessor de imprensa Guga Azevedo, iniciou suas atividades em novembro. "Com força de vontade de fazer a coisa acontecer", define Andressa, a Andy, 26.
O grupo produz bandas da cidade aqui e em outros locais além de trazer grupos de fora para fazer shows em Curitiba. "Esse intercâmbio é muito importante. Não dá para tocar só aqui, você tem que levar para fora. A galera tá com muita vontade de conhecer bandas novas", diz. "E Curitiba está num momento legal."
O repórter do Folha 2 Rodrigo Juste Duarte, o Digão, 33, acompanha a cena desde os 17 anos e acredita que a Maamute conseguiu reunir um casting respeitável. Entende que é um momento em que existe uma preocupação muito grande entre os músicos de se profissionalizar e que, hoje, há um intercâmbio maior entre as bandas.
Às quintas-feiras a Maamute promove as James Sessions, que reúnem no bar que da nome à proposta shows de bandas locais. Os jovens da Maamute, donos de uma energia empreendedora, também presente em muitas figuras da cidade, como nas citadas no texto de Bia Moraes, têm esse sentimento explicitado até mesmo no blog maamute.blogspot.com: "Realizamos sonhos, conquistamos objetivos e hoje encontramos o limite entre o profissional e o tesão pela música independente local".


