Em meados da década de 90 surgiu um dos ícones dos carros de produtos: o caminhão do gás, que seguia pelas ruas ao som de ‘‘Pour Elise’’, de Beethoven. A experiência foi tão marcante que até hoje, mesmo sem ser utilizada, a música segue como símbolo dos entregadores. ‘‘Eu era pequeno e isso me acordava às 7 horas da manhã de sábado, quando podia dormir. Tem como esquecer?’’, relembra o segurança Alceu Rodrigues.
  A história sobre a origem do uso de músicas que anunciam a chegada do caminhão é confusa. Uma explicação seria a intenção de uma empresa da cidade de São Paulo, que estava cansada das reclamações recebidas pela empresa pedindo uma solução contra a ‘‘gritaria’’ dos entregadores. ‘‘Talvez tenha sido isso mesmo, porque aqui eles vão andando pela rua e gritando ‘olha o gás’. Isso irrita muito quando não quero comprar’’, analisa a dona de casa Elza Costa, moradora do Xaxim.
  O assunto foi polêmico e, em algumas cidades, rendeu até proibição, como em Curitiba. Segundo a lei nº 10.625, publicada em dezembro de 2002, que dispõe sobre ruídos urbanos e proteção do bem estar e sossego público, não é concedida autorização para uso de equipamentos sonoros em veículos de empresas de distribuição e comercialização de gás, sendo proibido ainda o uso de alto-falantes e outras fontes de emissão sonora nos veículos que transportam o produto.
  Um alívio, de acordo com a estudante Sara Rocha. ‘‘Ninguém merece um carro desses tocando música em frente de casa’’, critica. Outras atividades que envolvem emissão sonora por equipamentos eletrônicos também são regulamentadas pela mesma lei, que estabelece limites máximos que variam entre 50 e 70 decibéis, dependendo do zoneamento e a área onde está localizada. (M.M.)

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