Oito anos e quatro meses após a cassação, pela Câmara de Vereadores de Londrina, o ex-prefeito Antonio Casemiro Belinati (PP) conseguiu ontem retornar à Prefeitura de Londrina por aquela que foi a eleição de segundo turno mais acirrada da história da cidade. Belinati conquistou seu quarto mandato justamente sobre quem havia sido o algoz no segundo turno de 1996, o deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB).
Por uma diferença de apenas 3,46 pontos percentuais, ou 9.301 votos válidos, o pepista confirmou o resultado de três pesquisas boca-de-urna divulgadas às 17 horas e repetiu a façanha de 12 anos atrás, quando obtivera o terceiro mandato sobre o tucano. Na apuração concluída às 18h57 – a terceira mais rápida das 30 cidades em que houve segundo turno; atrás apenas de Vila Velha (ES) e Anápolis (GO) –, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) confirmou a vitória do pepista com o resultado de 51,73% contra 48,27% de Hauly, ou 138.926 contra 129.625 votos válidos do tucano.
Dos 341.908 eleitores, eximiram-se de votar 58.236 eleitores, ou 17,03% do total – número superior ao primeiro turno, no último dia 5, quando deixaram de comparecer às urnas 54.584 (15,96%) aptos a votar. Votos nulos somaram 10.368, e brancos, 4.753.
As três pesquisas boca-de-urna já garantiam a vitória ao ex-prefeito – a da rádio Paiquerê AM/Colégio Portinari, a do instituto Ibope e a da Alvorada Pesquisas. Durante a apuração no Fórum de Londrina, onde o movimento de cabos eleitorais, dessa vez, foi bem menor que o do primeiro turno – quando, aliás, eram 407 candidatos ao Legislativo e nove ao Executivo –, com 926 das 971 urnas apuradas, ou 95,37% do total de eleitores, a vitória do pepista já estava consolidada.
Das sete zonas eleitorais da cidade, Belinati venceu em quatro delas (146ª , 157ª , 189ª  e 190ª). Hauly foi o preferido dos eleitores de zonas mais centrais (41ª , 42ª  e 191ª ).
O acirramento da disputa de ontem se confirma se considerados os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) das últimas quatro eleições municipais: em 1992, Luiz Eduardo Cheida (então no PT) venceu Wilson Moreira (PSDB) por uma diferença de 3,66 pontos porcentuais. Em 1996, quando obteve o terceiro mandato, Belinati (então no PDT) derrotou Hauly com 5,2 pontos percentuais à frente (á época, com 211 mil eleitores, 50,05% contra 44,85%).
Na eleição de 2000, a primeira vencida pelo prefeito Nedson Micheleti (PT), a vitória de segundo turno sobre Barbosa Neto (PDT) veio com ampla vantagem de 27,01 pontos percentuais. Já no último pleito, em 2004, o petista conseguiu a reeleição sobre Belinati (à época, no PSL), em segunda etapa, com a diferença de 6,5 pontos percentuais, ou 16.826 votos (53,25% contra 46,75%), no universo de 328.340 eleitores.
Presente em Londrina para os preparativos do segundo turno, o coordenador de Comunicação do TRE, Marden Machado, avaliou que o pleito na cidade, de apuração mais rápida até que em Ponta Grossa (onde são 210 mil eleitores), foi mais traqüilo até que o primeiro turno. ‘‘Tanto que, no dia 5, 15 urnas apresentaram problemas, e hoje (ontem), foram 11; o próprio clima na cidade foi ordeiro, sem algazarra ou sujeira nas ruas’’, ponderou, para completar: ‘‘Mas certamente foi a mais acirrada da cidade’’. A disputa pela Prefeitura em 1988 também foi voto a voto, mas se encerrou no primeiro turno: Belinati, então pedetista, venceu José Tavares (PMDB) por uma diferença de 838 votos (68.694 contra 67.856). Dos 202.209 eleitores existentes em Londrina, na ocasião, 183.324 compareceram às urnas.
Para o coordenador das eleições 2008 na cidade, Carlos Maurício Ferreira, a limpeza nas ruas (em compração ao primeiro turno) e o único caso de suposto crime eleitoral, encaminhado ao Ginásio Moringão, são sintomáticos – ainda que o policiamento tenha sido reforçado, dessa vez.
‘‘Isso tudo é sinal de maturidade do eleitorado, que votou de acordo com a consciência’’, afirmou o magistrado, que fez uma ressalva: ‘‘Mas com certeza caberá uma cobrança maior ao candidato eleito, dada a maioria do eleitorado contrário a ele’’, acredita.
A diplomação dos eleitos às Prefeituras e Câmaras de Vereadores de todo o País acontece no mês de dezembro. A posse está marcada para 1º de janeiro.

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