O apito de trem anda incomodando moradores de Curitiba e Região Metropolitana (RMC) ultimamente. É que, segundo a América Latina Logística (ALL), empresa que administra a rede ferroviária paranaense, em período de safra (de março a outubro), cerca de 30 trens passam todos os dias pela região. Na entresafra, a movimentação reduz em cerca de 30%.
As linhas de trem ainda atravessam vários bairros de Curitiba e da RMC. São 90 km de linha, abrangendo também os municípios de Araucária, Rio Branco do Sul, Almirante Tamandaré, Itaperuçu, São José dos Pinhais, Pinhais e Piraquara. Cada trem carrega, em média, 45 vagões e, no perímetro urbano, a velocidade fica em torno de 10km/h.
Enquanto cruza as ruas da cidade, o maquinista usa a buzina - o famoso apito - para avisar os motoristas e pedestres que está chegando. O som é alto, mas, aparentemente, quem se incomoda com o barulho do trem é porque ainda não acostumou os ouvidos.
No bairro Cajuru, próximo à sede da ALL, a comunidade que vive ao redor dos trilhos gosta dos vizinhos barulhentos. A família de dona Sebastiana de Souza, salgadeira, nunca se incomodou por morar em frente à linha. ''Só percebo que o trem está passando quando não consigo ouvir a televisão por causa do apito. Senão, nem ligo'', conta.
Para Katia Amaral, morar perto do trem é um atrativo a mais. ''Eu gosto de ficar perto da linha mostrando os trens indo e vindo para meus netos''. Sobre o perigo de atravessar a linha, a dona de casa contraria as estatísticas: ''é comum ter acidente com os trens e eles são os mais feios que eu já vi''.
Ela conta que tem um álbum só de fotos de acidentados de trem e já mostrou as imagens para o neto aprender o perigo de atravessar uma linha férrea sem tomar cuidado.
Os cuidados com o trem
Cancelas não são itens obrigatórios na sinalização de cruzamentos férreos e não eliminam a necessidade do apito do trem. Por causa da ação constante de vândalos que danificam os equipamentos, cada vez mais prefeituras e concessionárias ferroviárias têm optado pela sinalização passiva com placas de Pare, cruz de Santo André, entre outras, para evitar acidentes.
O código de trânsito pune o motorista desatento: é infração gravíssima deixar de parar o veículo antes de transpor linha férrea, sujeita a sete pontos na carteira e multa de R$ 186,39.
Mas, apesar de o trem ter a preferencial nos cruzamentos, acidentes com carros - chamados abalroamentos - têm acontecido. Neste ano foram três em Curitiba e Região Metropolitana, a metade de todo o ano de 2007.
Manutenção e melhorias da rede
Pelo contrato de concessão, as empresas são responsáveis pela manutenção da via já existente e a aquisição de novos ativos (locomotivas e vagões), garantindo o aumento da produtividade e da segurança ferroviária. As adaptações de vias públicas como trincheiras, passarelas e viadutos sobre a linha ficam a cargo dos municípios.

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