O oftalmologista Romão Sessak, um dos médicos pioneiros de Londrina, é um apaixonado pelas causas que abraça. Aposentado, ele foi um dos profissionais mais dedicados à criação da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Pode ser considerado também um visionário, pela previsão de crescimento da cidade, onde chegou e estabeleceu-se no início dos anos 1950.
Após estudar em Curitiba, Sessak mudou-se para Campinas, no interior paulista, para dedicar-se ao estudo da oftalmologia e trabalhar. Por conselho de seu patrão à época, veio para Londrina em 1953. ''Minha idéia era voltar para Curitiba, mas fui convencido a tentar Londrina'', conta. Desde então, o médico atua na cidade, que escolheu para estabelecer-se de forma definitiva. ''Com a medicina, particularmente, você cria raízes. E depois não tem graça. Sair pra quê?'', questiona.
No início da carreira, Romão Sessak trabalhou em consultórios na Praça Willie Davis e Rua Souza Naves, na Área Central. Também atuou como médico do trânsito, responsável pelos exames para retirar habilitação. ''Era difícil alugar espaços porque todo mundo investia em café, e não em construções'', relembra. E foi a crise do café que levou Sessak a pensar em abandonar a cidade. Após a forte geada de 1975, ele chegou a comprar um apartamento em Curitiba. Desistiu, no entanto, e continuou a carreira no interior. Passou, então, a dedicar seus esforços para a criação da UEL.
Londrina já contava com as faculdades de odontologia, direito, filosofia. Então presidente da Associação Médica de Londrina (AML), Romão Sessak liderou um grupo de profissionais para formar a UEL. Segundo ele, a qualidade dos professores foi priorizada ''em detrimento ao acabamento do prédio'', em um terreno onde nem asfalto chegava na época. ''(A universidade) Foi construída com muito idealismo'', orgulha-se.
Para Romão Sessak, a situação da saúde pública londrinense poderia evoluir com a melhoria da qualidade do investimento. ''Com este dinheiro, era possível fazer melhor'', avalia. Segundo Sessak, as chamadas Unidades Básicas de Saúde (UBS) são dispensáveis. Os postos de saúde poderiam ser trocados por ambulâncias, para encaminhar pacientes a hospitais, que devem aumentar o número de leitos. ''O posto de saúde para ser bom tem de ser um hospital. Então, é melhor que já se façam hospitais'', conclui F.R.F.

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