Oeste vive transformação
Integrante do Grupo de Pesquisa em Economia Aplicada e referência em desenvolvimento regional e urbano no Oeste do Paraná, a professora doutora de Ciências Econômicas da Universidade Estadual do Oeste (Unioeste), Mariângela Alice Pieruccini, atesta que o perfil econômico local passa por um processo de transformação, do qual Cascavel é o melhor exemplo.
Conforme a pesquisadora, a economia ainda depende da agricultura mas já não se pode ignorar a estruturação cada vez mais visível do chamado setor terciário superior: serviços financeiros, médicos-hospitalares e educacionais; tecnologia de informação; comércio elaborado; importantes segmentos industriais. Com quase 300 mil habitantes, Mariângela diz que Cascavel conduz este processo por atrair uma população que busca se beneficiar dessa melhor estrutura e dos equipamentos urbanos disponíveis.
''Entre 1980 e 1991, houve um crescimento urbano de 37% considerando mais de 90% das atividades como urbanas. Entre 1990 e 2010, essa condição acentuou-se ainda mais, diante da oferta de bens e serviços mais sofisticados e que atraem a população dos municípios menores. Portanto, existe uma força de atração dessa aglomeração que produz efeitos regressivos em municípios menores ao seu entorno'', cita a pesquisadora. Ela complementa que observa-se ainda uma tendência à conurbação entre Cascavel e sua vizinhança, o que favorece a produção das ''cidades-dormitórios''. ''(Essas cidades) precisam rever sua estrutura de oferta de bens e serviços para que possam se adequar à realidade de sua população'', opina.
Mariângela aponta que a irradiação de centros maiores sobre cidades menores vizinhas também ocorre em Foz do Iguaçu - em relação à Santa Terezinha de Itaipu e São Miguel do Iguaçu - e até entre cidades de menor porte. Ela exemplifica que a Cooperativa Consolata-Copacol, em Cafelândia, emprega trabalhadores de Iguatu, Braganey, Anahy, Formosa do Oeste, Jesuitas, entre outros, ''que se submetem ao ir e vir nas estradas da região''. (L.A.)





