ODONTOFOBIA EM CRIANÇAS - Sem medo do dentista
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sábado, 30 de agosto de 2008
Thiago Nassif<br> Reportagem Local 
Mãos geladas, palidez, suor em excesso e corpo trêmulo. A cena é comum e se repete nos consultórios odontológicos: qual criança não teve medo de ir ao dentista? ''Dói, demora muito, não posso conversar'' são os argumentos na ponta da língua, não? Estudos indicam que 15% dos pacientes sofrem da odontofobia.
Aos 12 anos, Carolina Pereira Cardoso teve sua primeira consulta aos 5, quando surgiam as primeiras janelinhas. Tinha pavor do consultório e da possibilidade de se submeter a um tratamento. À época, relembra o dentista Walter Gomes de Oliveira Filho, a familiarização foi a conduta adotada para combater a combinação de taquicardia, tremedeira e suor. ''Deixei a Carolina se familiarizar com a clínica e os materiais, ela teve contato e pôde tocar os instrumentos e viu que eles não causavam nenhum tipo de risco'', relembra o dentista que, em nome da tranquilidade de Carolina, deixou a mãe da garota ficar por perto, nas primeiras sessões.
A figura dos pais, aliás, tem se convertido num ótimo trunfo nos consultórios odontológicos. Pai de Luis Felipe, 8 anos, o administrador Luis Carlos Pieralisi não fez rodeios com o filho. Há três anos, Luis Felipe fez um interrogatório antes da primeira sessão. ''O Luis Felipe é daqueles garotos que querem saber de tudo antes. Comparo a primeira ida dele ao dentista com seu primeiro passeio de helicóptero, recentemente em Foz: ele quer saber o que vai acontecer, como vai acontecer e de que forma. Em ambos os casos, ele aceitou e não se arrependeu'', afirma.
Com o sorrisão alternando dentes novinhos em folha, janelas e dentes de leite, Luis Felipe deixa claro que mentira não é com ele. ''Se mentirem para mim, eu fico chateado'', entrega o garoto, que atualmente usa o aparelho móvel, em breve parte para o fixo e adora uma novidade.
Para Walter, também dentista de Luis Felipe, o primeiro objetivo do profissional deve ser estabelecer uma comunicação mútua com as crianças, fazendo com que vejam que tanto o dentista quanto seus assistentes são seus amigos e estão interessados em ajudá-las. A linguagem, segundo o profissional, deve ser simples e verdadeira. Palavras como picada, sangue, agulha e dor não devem ser nunca mencionadas, acredita.
A indumentária também conta. Por isso, não raro, o dentista londrinense deixa a roupa branca no vestiário e aposta no visual mais informal. ''Principalmente no início do tratamento das crianças, o mito da roupa branca é verdadeiro. A roupa branca ainda assusta muita gente'', revela.
Outro dado interessante: criança gosta de ver criança. Pensando nisso, Walter sempre opta por marcar as consultas com a ala mirim no mesmo dia. ''Quanto maior o número de crianças na sala de espera, mais confortáveis se sentirão os pacientes. Essa convivência aliada a uma arquitetura moderna, com um espaço voltado às crianças, uma pintura com tonalidades claras e suaves e um ambiente amplo e confortável são sinônimo de bem-estar''.
Rotina
Aviso aos adultos: contar às crianças uma experiência dolorosa no consultório odontológico? Nem pensar! ''É importante que os adultos que convivem no dia-a-dia das crianças evitem fazer comentários sobre experiências odontológicas negativas, pois poderão gerar o medo subjetivo e até mesmo um trauma''.
Lançar mão da ida ao dentista ou da anestesia como forma de ameaça também traz consequências negativas. O tratamento, sustenta o dentista, tem de fazer parte da rotina das crianças. Os procedimentos mais comuns em crianças são os tratamentos preventivos como aplicação de flúor, selantes, aparelhos ortodônticos preventivos e orientações de higienização e escovação.
''A estética está intimamente ligada a todas as faixas etárias e, ao contrário do que se pensava, as crianças valorizam e muito os seus dentes. Na verdade, saúde e estética estão relacionadas, tanto no aspecto físico quanto no psicológico. Tratar-se de forma integral é garantia de felicidade por completo, inclusive nas crianças'', acentua o profissional, que considera frases do tipo ''Se você não utilizar corretamente o aparelho, vai ser único da sala a ficar com o dente aberto'', altamente positivas.
E mais: atualmente, a modernidade bate à porta e finca raízes nos consultórios odontológicos. Uma técnica que vem sendo utilizada recentemente é a sedação consciente ou analgesia inalatória, realizada com óxido nitroso (N2O) e oxigênio (O2). O método tem a função de acalmar e tranquilizar o paciente antes de iniciar o tratamento. Sucesso na Europa, agora ela está regulamentada no Brasil.
De quebra, os materiais também evoluíram. ''Contamos hoje com instrumentos de última geração, agulhas extrafinas e materiais de alto grau de compatibilidade e aceitação que fazem com o tratamento seja rápido e indolor'', destaca Walter. Se nada disso funcionar, em casos de Síndrome do Pânico ou fobia aguda, o correto é encaminhar o paciente para uma avaliação com um psicólogo ou psiquiatra. E você, já marcou sua volta ao dentista?


