No dia 6 de junho de 2003, um grupo de 45 famílias ocupou um prédio histórico de Curitiba, situado na Marechal Deodoro, número 333, bem no centro da cidade. Tratava-se de um imóvel conhecido, de nove andares, e que por anos pertenceu ao Banestado, até passar para as mãos do Itaú quando o banco paranaense foi privatizado.
Improvisando uma cozinha comunitária no último andar, onde alguma vez já funcionou um restaurante, e dormindo em colchões pelos andares abaixo, essas famílias acabaram vivendo 56 dias de muita tensão, com o prédio cercado por policiais e resistindo a ameaças constantes de despejo.
Mas a estratégia do Movimento Nacional de Luta por Moradia, que organizou a ocupação, deu certo. Pelo menos para aquelas famílias. O grupo iniciou negociações com a Cohab ali mesmo. No dia 1º de agosto, quando desocupou o prédio, saiu com o compromisso do órgão de que teriam suas terras, na Vila Sambaqui, localizada no Bairro Novo, onde moram atualmente. Para chegar aí, a briga ainda foi longe: com a demora nas negociações, eles acabaram ocupando a área prometida, para serem despejados em seguida, viveram improvisadamente em espaços cedidos por sindicatos e entidades de estudantes. Só em fevereiro de 2005, um ano e meio depois, chegaram ao sonhado lote.
A ocupação do ''prédio do Banestado'' foi um marco entre os movimentos que lutam pelo direito à habitação em Curitiba. Diferente de outras cidades, aqui os movimentos evitam ações desse tipo. ''A repressão é violentíssima, com despejo forçado das famílias'', justifica o advogado da ONG Terra de Direitos, Vinicius Gessolo de Oliveira.
Já naquela época o movimento denunciava que 10% dos imóveis de Curitiba eram subutilizados e reivindicava a adoção de medidas que atendessem às necessidades das famílias mais carentes de moradia. Essa reivindicação não foi atendida. O ''prédio do Banestado'' continua vazio até hoje. (M.G.)

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