Ocupação confrontou índios e brancos
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terça-feira, 09 de dezembro de 1997
Edna Mendes Guarapuava 
Arquivo Histórico UnicentroFamília típica provavelmente dos anos 30: pioneiros enfrentaram dificuldades com muita coragem A história da colonização de Guarapuava tem ligação direta com índios, tropeiros, espanhóis e portugueses. Mesmo com vários desmembramentos no decorrer dos anos, o município continua sendo o maior do Estado, com mais de 3 mil quilômetros quadrados. E ao completar 178 anos, Guarapuava conta muita história de bravura e persistência.
A palavra guarapuava significa lobo bravo em tupi-guarani. A região foi denominada pelos guaranis que dominavam os campos desde Sete Quedas. Na entrada da cidade, o monumento de um cacique acompanhado de um lobo guará, conhecido como o Trevo do Índio, é o símbolo tradicional das boas vindas aos visitantes.
Os Campos de Guarapuava foram descobertos em 1768. Em novembro de 1771, uma expedição de Afonso Botelho foi escorraçada pelos povos indígenas, que durante quase 40 anos impediram o povoamento e o trânsito de brancos pela região. Os portugueses, quando conseguiram se instalar, em 1809, encontraram três tribos de caingangues. Os camés, que habitavam de Guarapuava até Campo Mourão, Palmas, Nonoai e sertões que iam até o Uruguai; os votorões, que viviam em Candói, Pinhão e Palmas; e os cayeres ou ka¤erus, apelidos de dorins e macacos, que dominavam os campos de Laranjeiras do Sul. Os camés e os votorões foram catequizados pelo padre Francisco das Chagas Lima. Os cayeres ou ka¤erus não se deixaram catequizar.
Gente valenteSampaio, Gonçalves, Almeida, Werneck, Queiroz, Cleve, Santa Maria, Rocha Loures, Virmond, Marcondes Camargo, Ferreira Maciel, Lopes, Chagas, Sá Ribas, Martins, Ayres, Silvério, Alves, Lacerda, Branco, Mendes, Mendes Araújo, Caldas, Siqueira Cortes, França Lima, Guimarães, Abreu, Lustosa e algumas outras são as famílias pioneiras. O trabalho, a força e a coragem delas é que fizeram a colonização de Guarapuava.
Não faltaram dificuldades, no começo, com a distância dos grandes centros e inexistência de estradas. Os índios, que não queriam o povomento branco e o aldeamento, matavam o gado, envenenavam fontes de água e incendiavam casas. Segundo a professora e historiadora Gracita Gruber Marcondes, a situação ficou especialmente agravada quando, no início do século passado, criminosos condenados em vários estados eram despejados em Guarapuava para cumprir suas penas - no mato. Nesta época, a localidade era mais conhecida como Presídio de Guarapuava.
Os condenados eram soltos nas matas, como num presídio natural. Muitos acabaram se casando com índias e se reintegrando à sociedade. A fama que Guarapuava ganhou de ser uma cidade de gente valente deve-se a este fato. Isso durou cerca de 40 anos, mas o estigma da valentia do povo se estendeu, conta a historiadora.
Gracita lembra de casos como o de um homem que falsificava dinheiro no Rio de Janeiro, que foi condenado a cumprir pena nos confins de Guarapuava pelo seu crime. Só que ele trouxe consigo a máquina falsificadora, e continuou a operar tranquilamente, até que foi novamente descoberto, preso e teve sua máquina destruída pela polícia.


