Oculos coloridos escuros
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quinta-feira, 24 de julho de 1997
Fabiano Camargo 
Raphael VieiraModelo espelhado da Hipótese (R$ 25,00)Usar óculos escuros é, cada vez mais, uma questão de estilo e atitude. Os lançamentos das griffes mais descoladas estão ousando como nunca no design e, nas ruas, toda esta diversidade vem ganhando força. Do visual cyber, emprestado da ficção científica, até os modelos retrô e aqueles que simplesmente investem em formas e cores pouco usuais, a moda dos olhos apresenta tendências que acompanham os mais delirantes visuais.
Óculos tipo feminino básico Drop Dead (R$ 21,30)Ainda existe espaço para os tradicionais Ray Ban modelo de piloto e os básicos com aros escuros, mas a nova ordem é investir em modelos bem pessoais, daquele tipo que definitivamente não vai vender milhares. O gosto da exclusividade é procurado como nunca. As pessoas estão procurando coisas diferentes do que vêem nos shoppings, diz Gisa Gabriel, produtora e proprietária da loja Hipótese, especializada em moda de vanguarda. O interessante é que quem compra os óculos mais modernos não costuma levar apenas um: compra quatro ou cinco de uma só vez.
Hi Tek redondo, com detalhes em metal (R$ 26,70)Entre as novas tendências, convivem pacificamente dois caminhos estilísticos opostos. Um deles se inspira em looks futurísticos, representados pelas lentes espelhadas, aros transparentes e armações que grudam no rosto. Por outro lado, a inspiração retrô também está presente. Os óculos estilo gatinha continuam em alta, bem como os modelos a la Jackie O., bem anos 60. Outra vertente marcante é a das lentes grandes e arredondadas, que lembram óculos de outras temporadas. Até mesmo marcas que trafegam na ponta da modernidade, como a italiana Arnette, tem investindo nas lentes tipo vespão. Nas armações, um giro pelas lojas mostra que as hastes tem merecido tratamento especial. Detalhes vasados, transparências e armações com sobreposição de peças de metais, lembrando engrenagens, fazem parte do acabamento.
Modelo 60s, da CLC (R$ 50,00, na Hi Tek)A diversidade de lançamentos criou um nicho de consumo crescente, o dos fanáticos por óculos escuros exóticos. O músico Ricardo Rosinha, percussionista da banda Maxixe Maxhine, é um dos contagiados. Possui um acervo com 17 modelos. A coleção foi abastecida com visitas a brechós, em viagens e até em garimpagens em barraquinhas de camelôs de rodoviárias. Para ele, usar um óculos escuro pouco convencional tem a ver com o estilo e aparência. O óculos dá continuidade a face. Se a pessoa tem uma cara estranha, tem que buscar coisas que vão acrescentar ao visual, diz. Não consigo usar óculos normais.
Segundo Rosinha, os óculos escuros são um acessório que contém uma grande dose da personalidade do dono. Por estar entre o mundo e nossos olhos, que são uma grande fonte de informação, acredito que eles absorvem parte do que vemos e vivemos, teoriza o músico, que tem entre seus modelos prediletos um de aro vermelho e lente azul.
As novas coleções estão performáticas e vão do retrô ao cyberA produtora Elaine de Lemos também faz parte do grupo que dedica especial atenção a estes acessórios visuais. O gosto que dedica aos óculos escuros ficou tão conhecido entre os amigos que costuma ganhar de presente modelos bem diferentes. Visitas a brechós e às edições do Mercado Mundo Mix também fazem parte do seu roteiro de compras. Os modelos antigos, com cara de vó, estão entre seus prediletos. Eles tem um clima retrô que acho bem interessante, resume a produtora, que até na escolha das armações dos seus óculos de grau costuma inovar.
Arnette Hoodoo, a R$ 126,00, na Drop DeadA ousadia na hora de esconder o olhar e preservar os olhos está mesmo à solta, mas um óculos muito ousado não combina com qualquer rosto ou visual. É preciso saber ver se o acessório combina com todo o visual da pessoa. Tem que estar dentro de um contexto, opina a produtora Gisa Gabriel, da Hipótese.


