Fotos Marcelo AlmeJaime Takenaka é adepto da Soka Gakkai Internacional, em Curitiba, há 11 anos. ‘‘O número de adeptos dobrou nos últimos anos’’.O Budismo saiu da Índia, cresceu na China, Tibet, Japão e Coréia e rumou ao Ocidente. Após três mil anos de história e muita meditação, a filosofia atualmente se propaga de forma inexplicável entre pessoas famosas, que em nada lembram monges tibetanos. Hollywood faz filmes sobre o assunto e o tema ganha rapidamente lugar na mídia mundial. No Brasil, cada vez mais personalidades públicas se mostram adeptas, provando que é possível aliar dinheiro e poder com práticas de meditação e desapego material.
‘‘As pessoas estão procurando o Budismo porque ele tem uma explicação para todas as situações da vida’’, acredita o comerciante Jaime Takenaka, 31 anos, há mais de uma década ligado à sede curitibana da Soka Gakkai Internacional, maior organização budista do mundo, com 12 milhões de adeptos em 128 países.
‘‘Ser budista significa manter o coração puro no meio de tanta sujeira que há na sociedade’’, acredita a psicóloga Susana Martins Lacerda
A psicóloga Susana Martins Lacerda, 34 anos, concorda e afirma que ‘‘tantas pessoas famosas estão se interessando pelo Budismo porque a filosofia fala diretamente sobre a vida’’. Ela acredita que na sociedade atual quase tudo aconteça por interesse, transformando as relações humanas numa grande ‘‘sujeira’’.
‘‘Seguir o Budismo é uma forma de manter o coração puro no meio de tanta falsidade’’, explica. Susana participa da Soka Gakkai, em Curitiba, há 14 anos.
Além dela e de Takenaka, cerca de outros 5 mil curitibanos fazem parte da organização. ‘‘Há cinco anos eram 500 famílias, hoje são mais de mil’’, informa Takenaka. ‘‘O maior crescimento está entre os jovens, que chegam aqui por curiosidade, acabam se interessando e ingressando no Budismo’’, comentou Susana.
‘‘Entre os adeptos da Soka estão vários juízes, promotores e doutores ligados à Universidade. Além disto, temos entre os nossos simpatizantes o governador Jaime Lerner e o prefeito Cássio Tanigushi’’.
O empresário Melkzedek Calabria esteve recentemente no Japão, participando de treinamentos budistas
O empresário carioca Melkzedek Calabria, 27 anos, mora em Curitiba há cinco anos e participa da Soka Gakkai há 12. ‘‘Ingressei na adolescência, quando atravessava uma fase de inseguranças e falta de perspectiva’’, conta. ‘‘O que mais admiro no Budismo é a revolução humana que ele promove, o fortalecimento interior’’, afirma o empresário.
Hoje toda a sua família, originalmente católica, é budista. ‘‘Percebo que o Budismo ganha cada vez mais adeptos, inclusive aqui em Curitiba, e me orgulho muito de estar participando deste desenvolvimento’’. Calabria esteve recentemente no Japão, participando de um treinamento na sede mundial da Soka Gakkai Internacional.
Para ingressar na organização, é necessário estudar a filosofia budista e se interessar por causas sociais frequentemente lideradas por seus adeptos, como seminários, congressos e exposições mundiais de proteção ao meio ambiente, ênfase aos direitos humanos e garantia da infância e adolescência.
Cerca de 200 budistas reunem-se todas as segundas-feiras na sede da Soka Gakkai de Curitiba para orar, estudar e discutir filosofia
‘‘Temos uma cerimônia de iniciação que conta com orações e entrega do pergaminho - onde está a base de nossa filosofia - ao novo adepto’’, explica Susana. À partir daí ele terá um oratório em seu lar, onde sempre estará presente o pergaminho, velas, frutas e sinos, onde ele fará suas orações diárias’’.



ReproduçãoA fascinação da América com o Budismo foi o tema de capa de uma das recentes edições da revista americana Time. Na última década, o número de centros budistas no País saltou de 429 para 1.062.

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