Ocidente na busca do Nirvana
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sexta-feira, 14 de novembro de 1997
Simone Mattos 
Fotos Marcelo AlmeJaime Takenaka é adepto da Soka Gakkai Internacional, em Curitiba, há 11 anos. O número de adeptos dobrou nos últimos anos.O Budismo saiu da Índia, cresceu na China, Tibet, Japão e Coréia e rumou ao Ocidente. Após três mil anos de história e muita meditação, a filosofia atualmente se propaga de forma inexplicável entre pessoas famosas, que em nada lembram monges tibetanos. Hollywood faz filmes sobre o assunto e o tema ganha rapidamente lugar na mídia mundial. No Brasil, cada vez mais personalidades públicas se mostram adeptas, provando que é possível aliar dinheiro e poder com práticas de meditação e desapego material.
As pessoas estão procurando o Budismo porque ele tem uma explicação para todas as situações da vida, acredita o comerciante Jaime Takenaka, 31 anos, há mais de uma década ligado à sede curitibana da Soka Gakkai Internacional, maior organização budista do mundo, com 12 milhões de adeptos em 128 países.
Ser budista significa manter o coração puro no meio de tanta sujeira que há na sociedade, acredita a psicóloga Susana Martins Lacerda
A psicóloga Susana Martins Lacerda, 34 anos, concorda e afirma que tantas pessoas famosas estão se interessando pelo Budismo porque a filosofia fala diretamente sobre a vida. Ela acredita que na sociedade atual quase tudo aconteça por interesse, transformando as relações humanas numa grande sujeira.
Seguir o Budismo é uma forma de manter o coração puro no meio de tanta falsidade, explica. Susana participa da Soka Gakkai, em Curitiba, há 14 anos.
Além dela e de Takenaka, cerca de outros 5 mil curitibanos fazem parte da organização. Há cinco anos eram 500 famílias, hoje são mais de mil, informa Takenaka. O maior crescimento está entre os jovens, que chegam aqui por curiosidade, acabam se interessando e ingressando no Budismo, comentou Susana.
Entre os adeptos da Soka estão vários juízes, promotores e doutores ligados à Universidade. Além disto, temos entre os nossos simpatizantes o governador Jaime Lerner e o prefeito Cássio Tanigushi.
O empresário Melkzedek Calabria esteve recentemente no Japão, participando de treinamentos budistas
O empresário carioca Melkzedek Calabria, 27 anos, mora em Curitiba há cinco anos e participa da Soka Gakkai há 12. Ingressei na adolescência, quando atravessava uma fase de inseguranças e falta de perspectiva, conta. O que mais admiro no Budismo é a revolução humana que ele promove, o fortalecimento interior, afirma o empresário.
Hoje toda a sua família, originalmente católica, é budista. Percebo que o Budismo ganha cada vez mais adeptos, inclusive aqui em Curitiba, e me orgulho muito de estar participando deste desenvolvimento. Calabria esteve recentemente no Japão, participando de um treinamento na sede mundial da Soka Gakkai Internacional.
Para ingressar na organização, é necessário estudar a filosofia budista e se interessar por causas sociais frequentemente lideradas por seus adeptos, como seminários, congressos e exposições mundiais de proteção ao meio ambiente, ênfase aos direitos humanos e garantia da infância e adolescência.
Cerca de 200 budistas reunem-se todas as segundas-feiras na sede da Soka Gakkai de Curitiba para orar, estudar e discutir filosofia
Temos uma cerimônia de iniciação que conta com orações e entrega do pergaminho - onde está a base de nossa filosofia - ao novo adepto, explica Susana. À partir daí ele terá um oratório em seu lar, onde sempre estará presente o pergaminho, velas, frutas e sinos, onde ele fará suas orações diárias.
ReproduçãoA fascinação da América com o Budismo foi o tema de capa de uma das recentes edições da revista americana Time. Na última década, o número de centros budistas no País saltou de 429 para 1.062.


