Ocepar lamenta venda da Batavo
Arquivo FolhaProdutos Batavo: novo donoO presidente da Ocepar, João Paulo Koslovski, lamenta a venda da Coooperativa Central de Laticínios do Paraná, que detém a marca Batavo, para o grupo multinacional Parmalat. A Batavo foi criada pelas coooperativas de imigrantes holandeses, que se instalaram em 1911 em Carambeí e se consolidou como a marca mais conhecida do sistema cooperativista paranaense. Com a venda da indústria de laticínios e da marca, o sistema perdeu uma referência importante, afirma Koslovski. Mas essa transação com um grupo mercantilista ocorreu por absoluta insuficiência de capital disponível no mercado externo, aponta.
A orientação da Ocepar é para que as parcerias, integrações e fusões ocorram dentro do sistema cooperativista para fortalecer o setor. Infelizmente nem sempre isso é realidade e a Batavo buscou a parceria com uma empresa mercantil, afirma. Essa opção mostra a realidade da falta de recursos de giro das empresas brasileiras, fator que atraiu as empresas internacionais que entraram no Brasil, com capital mais barato obtido no mercado externo a juros e prazos em melhores condições que as nossas, avalia.
Para Koslovski, a falta de crédito é um grande problema para o País e no meio rural a situação é mais dramática. Em 1996, pior ano do crédito rural no País, o setor recebeu apenas 1/5 do que foi aplicado em 1980, quando foram investidos R$ 33,5 bilhões para custeio, investimentos e comercialização. Em 96, foram aplicados somente R$ 6,2 bilhões, agravando a descapitalização do setor.
Para comprometer ainda mais a situação, houve uma redução de 8,68% na área colhida no País entre 90 e 97. Nesse período, a produção agropecuária cresceu 35%, mas a renda decresceu em 2,86%. Conforme estudos da Ocepar, na produção de grãos a perda de renda foi de 37%, o que significa transferência de renda do primário para outros setores. Se de um lado fomos competentes, elevando a produtividade mesmo com área menor, a renda não foi compatível com todo esse esforço, conclui. Essa dificuldade enfrentada pela economia primária e também pelas cooperativas é resultado de uma política agrícola equivocada e que não atende as necessidades do setor. (V.C.)





