Quem transita por Curitiba percebe que, quando os imóveis municipais ou estaduais fecham para reformas, passam por longos períodos fechados ou em obras. A Rua 24 Horas, centro comercial e turístico da Capital, é um dos últimos exemplos a se enquadrar neste panorama. Fechada há seis meses, ela aguarda o encerramento de um edital de licitação para que possa entrar em obras.
Apesar de parecer um período longo para quem transita pelo local, a Urbs, empresa municipal que gerencia os contratos comerciais da Rua 24 Horas, alega que o tempo decorrido está dentro da normalidade. ‘‘Todo processo de licitação passa por um período de levantamento para que sejam concluídos todos seus projetos: arquitetônico, elétrico, hidráulico, de iluminação, entre outros, e isso leva tempo’’, explica Clodualdo Pinheiro Junior, diretor de desenvolvimento da Urbs.
Antes de iniciar este processo, o imóvel teve que ser fechado, fato ocorrido no dia 10 de setembro, um dia antes da rua completar 16 anos de existência. ‘‘Era necessário fechar a área para fazer o levantamento. Além disso, é um procedimento obrigatório encerrar um processo de permissão de uso para começar outro’’, informa. Dentro deste quadro, foi necessário também fazer um processo de desmobilização dos remanescentes. ‘‘Os permissionários foram avisados em dezembro de 2006, tendo nove meses para programar sua mudança da Rua 24 Horas’’, alega.
A data para as empresas interessadas apresentarem suas propostas de licitação foi prorrogada para o próximo dia 23. O projeto que atender a todos os requisitos e tiver a menor taxa de permissão de uso, vence a licitação. Pelo cronograma, a reforma deverá começar 30 dias depois. ‘‘As obras têm o período de seis meses para serem concluídas. Há a possibilidade de que elas não começem imediatamente. Pode haver recurso judicial em caso de preenchimento de documentos’’, avisa.
A nova Rua 24 Horas deverá, obrigatoriamente, seguir um projeto elaborado pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) em parceria com a Urbs. O investidor privado que vencer a licitação, além de reformar integralmente o espaço, terá o direito de exploração comercial do local durante dez anos, com possibilidade de renovação por mais dez. Os principais pontos do projeto são a troca da cobertura e do piso. Boa parte do novo telhado será de material metálico com isolante térmico e acústico, com exceção da cobertura sobre a praça de alimentação, que será de vidro.
O novo projeto contará com apenas seis lojas: restaurante, café, revistaria, minimercado, farmácia e loja de presentes e artesanato. ‘‘O grupo vencedor poderá solicitar outras mudanças, mas para isso ele deverá entrar com um pedido, que será pré-julgado’’, explica Pinheiro Junior. Há uma expectativa de que o novo ambiente seja elitizado, pois o entorno da Rua 24 Horas está se tornando uma área nobre. Além do Grand Hotel Rayon e do Centro Século XXI (que será integrado à rua comercial), estão sendo construídos dois edifícios de requinte nos arredores.
A Rua 24 Horas foi inaugurada no dia 11 de setembro de 1991, ligando as ruas Visconde de Nacar e Visconde do Rio Branco, na quadra entre as ruas Comendador Araújo e Emiliano Perneta. Foi a primeira rua comercial coberta do Brasil. Inicialmente, havia 42 lojas que funcionavam dia e noite. Mas com o passar do tempo, o horário máximo de atendimento era até as 23 horas (no novo projeto, o atendimento ininterrupto voltará). Sua reformulação faz parte do projeto Marco Zero da Prefeitura, de revitalização de importantes pontos do centro de Curitiba, incluindo a Rua Marechal Deodoro, a Praça Tiradentes, Paço Municipal, Galeria Júlio Moreira, entre outros.

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