Atualmente, cada DP possui como segurança um investigador. Estes policiais estão fora de suas funções em detrimento da segurança da cidade. Eles deixam de sair às ruas, investigar e prender criminosos, para cuidarem de presos. Mesmo forçada por ordem judicial, a Polícia Militar (PM) recusa-se a ajudar a Polícia Civil neste trabalho. O comandante do 5º Batalhão da PM, Marino Ari Burille, chegou ser ameaçado de prisão por desobediência pelo juiz Roberto do Valle. Burille alega que cuidar de presos não é função policial.
Dois meses antes do prefeito decretar estado de emergência, Roberto do Valle já havia interditado o 5º DP e prometia fechar os outros DPs. Era uma forma de pressão para o Governo Estadual tomar providências quanto aos problemas da superlotação carcerária. Trinta dias depois, quando o juiz partia para interditar os outros DPs, o Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná, por intermédio de uma liminar, o proibia de comprir o prometido. A liminar do TJ havia sido concedida por solicitação do procurador geral do Estado, Josué Grotti, a pedido de Cândido Martins. Para dar mais segurança aos DPs, a Secretaria de Segurança mandou reformá-los, o que não diminuiu o problema da superlotação.
Em janeiro de 1982, quando era secretário de Segurança o coronel do exército Haroldo Ferreira Dias, foi inaugurado o 2º Distrito Policial. Era o primeiro DP que funcionaria em Londrina. No seu discurso de inauguração, o coronel enfatizou que os distritos serviriam para dar segurança aos moradores. Na ocasião, ele disse que Londrina era prioridade nos seus planos de segurança: ‘‘A cidade vem sendo marginalizada neste setor por governos anteriores e eu farei tudo para resolver os problemas’’.
O juiz Roberto do Valle e o presidente da Acil, Abílio Medeiros, dizem que a situação da segurança de Londrina não se modificou em relação ao passado. No entanto, acreditam na sensibilidade do Governo do Estado em solucionar os problemas construindo a Cadeia Pública. Em novembro o prefeito Belinati, membros do Fórum Permanente de Segurança, vereadores e o juiz Roberto do Valle estiveram reunidos com o governador Jaime Lerner (PFL) para agilizar a licitação da construção da Cadeia. A expectativa é que as obras comecem até fevereiro de 1998 e deverão levar por volta de um ano para ficarem prontas. Para o juiz corregedor, não existe outra solução a curto prazo, que não seja a construção da Cadeia. (P.U.)

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