A Praça Tiradentes está a 7.714 metros da Casa Branca,®MDBO¯ ®MDNM¯de onde Barack Obama, empossado ontem, vai presidir os Estados Unidos. O cálculo ficou por conta do Google Maps. No 29 de outubro, a seis dias das eleições, a estudante de Relações Internacionais Gabriela Figueiredo Prado, 22, acompanhou um comício de Obama em®MDBO¯®MDNM¯ Raleigh, capital da Carolina do Norte. ''Queria ver ao vivo se ele era o que eu lia nos jornais: carismático e que falava bem em público.'' A curitibana foi um dos 20 brasileiros selecionados por um programa da embaixada norte-americana para acompanhar o processo eleitoral estadunidense. ''Ele é totalmente envolvente. Super carismático. Fala bem, faz graça e tem muita firmeza. Chegou onde chegou por causa disso'', comenta Gabriela, assumidamente impressionada.
Mas e o que muda em nossas vidas a tantos metros de distância? ''De imediato, a postura que ele assumir em frente à crise vai influenciar muito o que se passa por aqui'', diz. ''As coisas têm desdobramentos que, eventualmente, vão chegar no preço da banana em Curitiba.'' A estudante também entende que uma aparente abertura do novo presidente, mais flexível, pode acalmar o cenário internacional.
O professor de História Geraldo Silva, 47, não sabe dizer o que muda para Curitiba enquanto cidade. ''Mas a importância que tem para a percepção e autopercepeção do povo negro em Curitiba e no Paraná será notável.'' Silva, que tem mestrado em Mídia e Conhecimento e trabalha com cultura e educação para a Prefeitura de São José dos Pinhais, acredita que o fato de um país assumidamente racista ter eleito um presidente negro vai despertar novas discussões a respeito do mito da democracia racial no Brasil. ''Afinal de contas, somos um País que não é democrático etnicamente, nem socialmente, tampouco religiosamente ou mesmo de gênero.''

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