O verde corre perigo
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quarta-feira, 09 de maio de 2001
Marcos Zanatta 
Responsável pelo plantio de 90% das árvores da zona urbana e conhecido como jardineiro de Maringá, o agrônomo e pioneiro Annibal Bianchini da Rocha acredita que se nada for feito, em cinco ou 10 anos a cidade não será mais conhecida pela sua grande área verde. Ele evita falar em número de árvores ou de metro quadrado por habitante, mas afirma com autoridade que o verde de Maringá é mais usado como marketing do que na preservação da qualidade de vida da população. Se continuarmos assim em 10 anos estaremos falando como era verde Maringá, desabafa.
As árvores, assim como tudo na vida, possuem um limite de resistência. Ainda mais as plantadas na zona urbana, que sofrem todo tipo de agressão, lembra Bianchini. Hoje, as árvores plantadas na colonização da cidade, há mais de 40 anos, começam a ser substituídas. Na média, em torno de 100 árvores são retiradas todos os meses das calçadas de Maringá. Nem todas são substituídas. A Secretaria de Meio Ambiente precisa de um setor de parques e jardins, com pessoal especializado, defende.
Ele recorda que no início da colonização o cenário era desolador onde hoje é o centro da cidade. Toda área que seria urbanizada era uma clareira aberta em meio à mata, com a vegetação queimada, diz. A Companhia Melhoramentos, responsável pela urbanização da região, criou o Horto Florestal, de onde saíram mais de 70 mil mudas de árvores que foram plantadas em ruas, avenidas, praças e parques. A empresa trouxe para cá o agrônomo Luiz Teixeira Mendes, um dos maiores especialistas em arborização do país na época (em 1949), recorda.
Para garantir o que o verde significa para Maringá atualmente, defende Bianchini, o município teria que contratar um especialista em arborização e também criar um viveiro que atendesse à demanda. Com mudas de todas as idades, explica. Rocha lembra que existe um período ideal no ano para se realizar o plantio ou substituição de espécies, o que hoje não é respeitado.
Na maioria dos casos, as plantas nem substituídas são. Ele calcula que apenas no Jardim Alvorada, um dos maiores bairros de Maringá, faltam mais de mil árvores da arborização original. A abertura de novos bairros, segundo Rocha, também não respeita em nada a lei que exige o plantio de árvores. Muitos loteamentos são abertos e não recebem as mudas nas calçadas e áreas reservadas para abrigar parques, garante.


