O verdadeiro sentido do Natal
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domingo, 25 de dezembro de 2005
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
É Natal. Tempo de reunir a família, trocar presentes, refletir. Tempo de confraternizações. O próprio clima da cidade muda nesta época do ano. A grande movimentação no comércio dá a impressão de que a cidade está mais viva. As pessoas demonstram uma maior disposição em ajudar ao próximo, e os preparativos para a grande noite como a montagem da árvore e decoração da casa, a compra dos presentes e o preparo da ceia contribuem para que a família fique ainda mais unida.
Mas nem sempre as coisas saem como o esperado. Podem ocorrer imprevistos e é preciso saber contornar a situação para não deixar que isso estrague a festa. Principalmente, é importante reconhecer que o Natal não precisa ser igual ao da tevê. Se a mesa é mais humilde, pelo menos foi feita com carinho. Se não há presentes, pode haver o abraço e o desejo sincero de que o outro seja feliz que é o essencial. E não importa se é uma reunião para 50, 20 ou apenas três pessoas, desde que se compartilhe a data com quem se gosta. Se não há essa consciência, todos esses fatores podem gerar um sentimento de tristeza e frustração.
Maria Luiza Marinho, doutora em psicologia clínica pela USP, ressalta porém que não é fácil encarar todas essas faltas de forma positiva. Não se abater por não poder comprar presentes ou iguarias é uma recomendação difícil de se fazer, e praticamente impossível de se cumprir afinal, é realmente frustrante não poder homenagear e agradecer a quem se gosta com uma bela ceia ou ao menos uma lembrancinha.
''O consumismo é um processo que vem se arraigando há tempos. Valores abstratos foram sendo incorporados a objetos materiais. Ou seja, se você não pode ter, é como se não pudesse usufruir desses valores'', afirma a psicóloga.
Ela sugere, então, que as pessoas comecem a procurar o que realmente é importante para a felicidade de cada um. ''Faça uma lista das coisas que você deseja para a sua vida, dividindo em dois grupos: os bens materiais e as coisas que o dinheiro não pode comprar. É uma boa forma de começar a perceber que a felicidade pode ser conquistada de diversas maneiras.''
Outra noção equivocada é a de que se deve reunir vários familiares para celebrar junto. ''Há quem pense que quanto mais gente reunida, melhor é a festa, como se isso significasse mais amor. Porém, mais importante que a quantidade de pessoas é a comunhão entre elas'', lembra.
Para quem tem um parente distante ou perdeu alguém muito querido, a dor pode ser ainda mais intensa nesta época do ano, em que o desejo de estar junto se intensifica. Segundo o Centro de Valorização da Vida (CVV), em dezembro são feitos muitos atendimentos a pessoas que se entristecem por sentir falta de alguém e precisam externar isso.
''A pessoa fica constrangida, com medo de estragar a festa dos outros se trouxer a lembrança do ente que não está presente. Mas se recordar de alguém nessa hora pode ser uma forma de homenageá-lo e reconhecer a sua importância'', ressalta a psicóloga, lembrando que, nesse, caso, é possível entristecer-se um pouco, mas isso é muito melhor do que ficar reprimindo o sentimento.


