Valdir começou na Fundição, onde foi colocado pelo Jaraguá, chefe da Oficina na época. Como morava longe, Valdir chegava mais cedo.
Dormia em cima das tábuas onde eram colocados os jornais para expedição. Nesse tempo quem tomava conta da Circulação era Álvaro Grotti.
Na Fundição, ele acendia a caldeira. ‘‘O chumbo tinha que estar em 600-700 graus’’, lembra. Uma vez o Bugrão, que era o chefe da Fundição, encheu o sapato de chumbo derretido.
Valdir recorda que Bugrão ficou bravo, mais porque o chumbo estragara sua meia nova do que por ter arrancado a pele do pé. A caldeira era acesa na lenha; ‘‘depois no maçarico, com óleo diesel’’.
Na Clicheria Valdir também trabalhou, com Noel, Ataíde e Anito. Quando acabou a clicheria, esse pessoal todo - ele junto - passou a trabalhar na Fotomecânica, onde estiveram também Carlos Moraes e Luiz Gonzaga (‘‘Luís Barbudo’’).
Valdir começava a trabalhar na Oficina às dez horas da noite e saía do jornal às 7 da manhã. É que terminava por volta de 2 e meia, 3 horas na Fotomecânica (quando já tinha sido instalada a off-set - antes o que correspondia à fotomecânica era a clicheria) e passava para a Circulação.
Após chegar a off set, ele ficou ainda um mês trabalhando na rotativa; depois foi em definitivo para a fotomecânica, ‘‘mas ainda fazendo Circulação’’. Nesse setor ele continua trabalhando, como fotolitógrafo.
Um domingo frio, de manhã, o vento canalizado esfriava ainda mais a Oficina. Os gráficos acenderam ‘‘um foguinho pra esquentar o ambiente’’. Mas, esqueceram-se de ficar de olho na tinta inflamável.
Estourou um tambor de tinta. Foi um fumaceiro. Até vieram os bombeiros. ‘‘O Patrão queria saber quem foi o responsável, mas ninguém disse.’’ Birola, encarregado da impressora, foi quem acendeu o fogo. (J.O.)

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