O sossego acabou!
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 10 de abril de 2007
Marcos Martins<br>Equipe da Folha 
O final da tarde de sexta-feira, 30 de março de 2007, vai ficar para sempre na memória do consultor Paulo Mendes. Na frente de casa, sua mulher, Regina, e a filha, Ana Paula, foram atropeladas ao tentar atravessar a Rua Major Heitor Guimarães que desde fevereiro passou a compor um binário com a Rua Mário Tourinho, no bairro Campina do Siqueira.
Cruzar os 15 metros da rua é tarefa quase impossível. O único jeito é ir avançando entre os carros o que mãe e filha fizeram. Quando estavam a poucos metros do meio-fio, um carro em alta velocidade mudou da segunda para a terceira faixa de rolagem. O motorista quis desviar do congestionamento, mas quase interrompeu a vida de Ana e Regina.
Você ver as duas no chão e não poder fazer nada é desesperador, desabafa o pai. Ana sofreu um traumatismo craniano leve e precisou de 15 pontos na cabeça. Regina teve fratura na bacia, passou por cirurgia para a implantação de um pino de platina no braço e terá que ficar três meses de cama.
Para que deixar chegar a esse ponto?, questiona a vizinha Orlete dos Reis, que precisa andar mais de 300 metros até um sinaleiro, para ter um pouco mais de segurança ao chegar em casa. Segundo ela, os problemas são a imprudência e falta de respeito dos motoristas. Quando você sai da garagem com o carro ninguém pára, não deixam você passar. Correm para chegar no sinaleiro fechado mas não cedem espaço. Nem com pedestres têm consideração, critica.
No tempo em que a reportagem da FOLHA esteve no local, duas pessoas quase foram atropeladas, três carros ultrapassaram um sinal vermelho no cruzamento da Major Heitor com a Rua Pedro Viriato Parigot de Souza e foi quase impossível cruzar a Rua Engenheiro Serafim Voloschen. Rotina que causa apreensão na dona de casa Angélica Wrobel Queiroz. Meu filho cruza sempre essa rua e não tem como não ficar preocupada, lamenta, antes de precisar correr em um cruzamento para ir até a padaria. Viu só como é isso?, completa. Bruno Wrobel Queiroz, o filho, lamenta a atual situação. Antes dava até para jogar bola na rua de casa, recorda.
Segundo a gerente de engenharia de trânsito, Rosângela Battistella, a instalação de um sinaleiro no cruzamento das ruas Francisco Naldony e Major Heitor deve atenuar o problema. Nós avaliamos o local e constatamos que o tráfego de pedestres é pequeno, mas quando existe, eles demoram bastante para conseguir cruzar a rua. Por isso foi decidido atender a reivindicação dos moradores, explica. Quanto ao controle da velocidade, Rosângela considera que a identificação dos radares atrapalha a fiscalização. Quando você afirma que a via está sendo fiscalizada, os motoristas tendem a respeitar o limite de velocidade determinado. Já quando você identifica o ponto onde está o radar, eles diminuem naquele local e depois voltam a correr.
Para o vendedor José de Almeida, a solução está nas mãos ou nos pés dos motoristas. Precisa maneirar no acelerador. Se todos respeitassem limites de velocidade e os pedestres, não haveria necessidade de se pedir a intervenção do governo, que nunca resolve nada, sugere. A diarista Marli Gonçalves concorda. Passo todo dia aqui e é difícil ver alguma gentileza de motorista. Não sei por que eles têm tanta pressa, reclama.


