Não é preciso ir muito longe, atrás de regiões inóspitas no País para encontrar situações de pobreza e abandono de populações. O Paraná, um dos estados brasileiros com melhor desempenho econômico, também tem sua face de sertão.
Jovens universitários da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e da União de Ensino do Sudoeste do Paraná (Unisep), participantes de uma missão do Projeto Rondon no Vale da Ribeira, foram conhecer a realidade desses sertanejos, na expectativa de contribuir para que encontrem novas oportunidades de renda e de qualidade de vida.
Num primeiro contato com alguns dos 6.631 mil habitantes de Doutor Ulysses, o grupo de 14 estudantes dos cursos de Geografia, Farmácia, Direito, Educação Física, Arquitetura, Veterinária e Administração de Empresas, fez um levantamento do potencial econômico, turístico, ambiental e histórico da região.
Durante a produção da reportagem sobre o cotidiano dos moradores de povoados, a Folha encontrou os universitários, que estavam animados com alguns resultados do trabalho.
''Realizar um projeto elaborado em apenas 15 dias de visita é difícil, mas queremos ajudar essa população'', comentou o acadêmico de Direito da Unisep, Flávio Antonio Romani, 37 anos, morador em Dois Vizinhos (46 quilômetros ao norte de Francisco Beltrão).
Para a estudante do curso de Geografia da UEL, Fernanda Arrabal, 28 anos, o maior problema enfrentado pelo grupo é a dificuldade de acesso em muitos lugares.
''A gente conseguiu perceber que a comunidade tem interesse de desenvolver o seu potencial turístico. No Vale da Ribeira existem 13 cavernas mapeadas, cadastradas na Sociedade Brasileira de Espeleologia. Algumas grutas têm até dois quilômetros de extensão. Economicamente também, os maiores produtores de cítricos da região vendem a produção para a Ceasa de São Paulo e os menores para a de Curitiba. Porém, na entressafra, eles não conseguem tirar os produtos daqui por causa da dificuldade de acesso'', comentou Fernanda.
A estudante ainda lembra que a região é uma faixa importante da história brasileira, destacando a presença do Movimento Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), que fazia treinamentos na localidade, em vez de enviar integrantes para Cuba'', concluiu Fernanda.
A VPR surgiu em 1968 da fusão de uma dissidência da Organização Revolucionária Marxista - Política Operária (Polop), com grupos de militares do Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR).(F.L.)

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