"A gente precisa reconstruir tudo o que destruiu na natureza". Este é o lema do alagoano Divacir Zacarias da Silva, 72 anos, residente na rua Paes Leme, 270, Vila Brasil, área central de Londrina. Por conta disso, nos últimos quinze anos, ele semeou 21 espécies frutíferas no pequeno quintal de sua casa.
Divacir nasceu em Taquarana-AL, região de produção de tabaco. Chegou ao Norte do Paraná em meados da década de 1940, com cinco anos de idade. Aqui, derrubou muita mata por empreita, plantou, cuidou e colheu café. Depois, com o pai, foi pra Siqueira Campos, no Norte Pioneiro, cuidar de um sítio de 11 alqueires adquirido pela família.
Na sequência, virou merceeiro naquela cidade. Não deu certo. Foi pra Assis Chateaubriand, região oeste, e de lá se mudou de mala e cuia pro Paraguai. Virou brasiguaio. Ficou por lá até retornar a Londrina, há 15 anos, para cuidar da sogra, então proprietária da casa onde reside até hoje.
Mangueira
Quando chegou na Vila Brasil, havia apenas uma mangueira no quintal. "Essa árvore tem mais de 40 anos e produz manga rosa que é uma beleza", conta Divacir. Menino que subia nas árvores frutíferas do pomar do avô, lá nas Alagoas, ele arrumou um caminhão de terra, jogou no quintal e começou a plantar.
Na parte dos fundos da casa, semeou dois limoeiros (taiti e rosa), duas pitangueiras, três covas de cana de açúcar, três covas de abacaxi, fruta do conde, dois pés de banana nanica e dois pés de poncã. Na parte da frente, plantou uma jaqueira - que deve produzir os primeiros frutos este ano -, uma romãzeira e uma jabuticabeira.

Calçada
Sem mais espaço no terreno, mas com o desejo intenso de semear, o jeito foi Divacir ocupar a calçada. Um abacateiro adulto e um ingazeiro em início de produção ocupam o passeio em frente à casa do semeador alagoano.
Para Divacir, além dos frutos e da sombra que oferecem de graça, as plantas são suas companheiras. "Todo dia converso com as minhas árvores. Quando vou colher um fruto, peço licença, pois as plantas são seres vivos e merecem ser tratadas com respeito, amor e carinho", afirma.
"Não permito, jamais, que alguém bata nas árvores pra apanhar as frutas", avisa. Por isso, ele mantém uma vara com um saquinho na ponta pra não precisar bater ou chacoalhar as plantas. "Nenhum dos meus oito filhos e dezesseis netos tem autorização pra agredir as árvores."

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