Programa de industrialização permitiu ao Paraná um salto econômico e social
A frota de Curitiba é de mais de 650 mil veículos, dos quais cerca de 64 mil são importadosO terreno de 2 milhões de metros quadrados, um antigo haras, no Campo do Assobio, às margens da Rodovia PR-25, em São José dos Pinhais, que agora é a sede da Volkswagen/Audi no Brasil, é a base de um processo de integração industrial que coloca o Paraná definitivamente em um modelo de produção globalizada. A nova fábrica faz parte de um complexo automotivo da Audi que já totaliza um faturamento anual de 18,8 milhões de marcos e emprega mais de 35 mil trabalhadores em países como Alemanha, Hungria, China, Malásia, Indonésia, Filipinas e África do Sul.
Maior operação da Audi fora da Alemanha, a fábrica de São José dos Pinhais consolida o programa de industrialização iniciado no Paraná há três anos e meio e que começa a transformar o Estado no segundo maior pólo automobilístico do País. Os investimentos das montadoras garantem também a instalação de empresas complementares, como a Siemens, que já fabrica chicotes elétricos em Irati, e vão desenhando toda uma cadeia produtiva do setor.
A primeira tentativa do Paraná para iniciar esse processo de atração de investimentos industriais de grande porte foi tentar atrair a fábrica de caminhões da Volkswagen, que acabou se instalando em Resende, no Rio de Janeiro. Mas, foi com a vinda da francesa Renault que o Estado conseguiu o ‘‘primeiro grande investimento estratégico e fundamental, porque abriu os olhos de todas as outras fábricas, já que o Paraná não estava na lista de nenhuma indústria que quisesse se implantar no Brasil’’, lembra o governador Jaime Lerner.
A assinatura do protocolo de intenções entre o governo do Paraná e a Renault, em 29 de março de 1996, foi estratégico para o Estado. Primeira montadora, depois da Volvo, que já produz ônibus e caminhões há 20 anos na Cidade Industrial de Curitiba, a Renault deu inçio a um processo que ultrapassa o volume de R$ 16 bilhões em novos investimentos produtivos no Paraná.
Depois da Renault foi a vez da americana Chrysler, que construiu sua fábrica numa área de um milhão de metros quadrados em Campo Largo, com investimentos de R$ 315 milhões, gerando 400 empregos diretos. Ainda em Campo Largo, uma associação entre a Chrysler e a BMW gerou outro investimento de R$ 500 milhões para construir uma fábrica de motores que produzirá anualmente 400 mil motores para equipar os carros da Chrysler nos Estados Unidos e da Rover, empresa do grupo BMW localizada na Alemanha.
A Detroit, fabricante norte-americana de motores diesel, por sua vez, vai investir R$ 130 milhões para instalar uma fábrica na Cidade Industrial de Curitiba, produzindo inicialmente 56 mil motores/ano para veículos e caminhões. A nova unidade vai fabricar o motor diesel VM Turbotronic para a picape Dakota, produzida pela Chrysler em Campo Largo, e ainda os motores para o modelo Jeep Cherokee, também da Chrysler, que será fabrica em Córdoba, na Argentina.
Todo esse processo ganhou ainda novos contornos com o anúncio das ampliações da Renault, que iniciou sua produção no mês passado e já está construindo outra unidade, para produção de motores, e a ampliação da fábrica de caminhões e ônibus da Volvo, que está investindo R$ 230 milhões para ampliar sua unidade localizada na Cidade Industrial de Curitiba.
Além de transformar a sua economia, o processo de industrialização do Paraná está ajudando o País, avaliação feita pelo vice-presidente Marco Maciel, que participou da cerimônia da lançamento da pedra fundamental da VW/Audi, em novembro de 97. Segundo ele, o ‘‘Paraná é estratégico para a insenção do Brasil na economia mundial. Devido à sua posição geográfica e ao seu perfil, este é um Estado vocacionado a desempenhar um papel fundamental nesse processo’’. Para Maciel, o Paraná está liderando um processo que, quando alcançar a fase de maturação, transformará o País no quarto maior mercado consumidor e o quinto produtor de veículos do mundo, somando investimentos que totalizam R$ 22 bilhões. ‘‘O Brasil se tornou um grande centro de interesse nacional para investimentos produtos, que na virada do século chegarão aos R$ 200 bilhões, e o Paran[a, sem dúvidas, foi fundamental para que isso acontecesse’’, destacou.

mockup