‘Eu não vejo nenhum problema em envelhecer. Pelo contrário. Agradeço quando faço aniversário e acumulo mais um ano de vida. É um privilégio’’. É assim que a professora Shigueko Ariji, 63, encara o avançar da idade. Apesar de ter passado dos 60 anos e já ser considerada idosa, de acordo com a classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS) para países em desenvolvimento, ela - definitivamente - não se sente assim. ‘‘Quando fiz 60 anos comemorei a data em grande estilo. Reuni meus amigos e familiares para uma festa’’, lembra ela que é solteira e não tem filhos.
  Shigueko encara o envelhecimento com naturalidade e nunca se submeteu a nenhum procedimento cirúrgico para esconder os sinais da idade. ‘‘Uso somente hidratantes e um creme antienvelhecimento todas as noites’’, diz ela, que esbanja aparência de mais jovem. Os segredos são a prática regular de atividade física, a alimentação balanceada e o fato de manter a cabeça ocupada. ‘‘Trabalho cerca de 9 horas diariamente e amo o que eu faço’’, conta a professora, que é dona de uma tradicional escola de aulas particulares na cidade.
  A rotina de Shigueko é agitada. Quatro vezes por semana, ela pratica corrida em grupo às 6 horas da manhã. Faz aulas de dança de salão duas vezes na semana no período da noite. E, nas horas vagas, deixa aflorar o seu lado de artista e pinta telas. ‘‘Tudo isso me renova’’, observa, ressaltando que praticou natação durante 20 anos e há 8 se rendeu aos encantos da corrida. ‘‘Já participei duas vezes da São Silvestre, uma da meia maratona das Cataratas e pretendo continuar correndo. Quero envelhecer feliz’’, pontua.
  Muitas pessoas, no entanto, não encaram o envelhecimento de forma tão natural. Para retardar os efeitos da idade lançam mão de um sem fim de procedimentos estéticos, que inclui desde o uso de cosméticos até intervenções cirúrgicas. O problema que surge é que, além da falta de comprovação científica quanto à eficácia, as novas terapias podem comprometer o bom funcionamento do organismo, conforme aponta a presidenta da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Silvia Pereira.
  A reposição de nutrientes e o uso de remédios, como hormônio do crescimento (GH), para ganhar músculos e queimar gordura com facilidade, podem aumentar a incidência de cânceres. Além disso, segundo ela, estudos sobre as vitaminas E, C e Betacaroteno, por exemplo, apontam que se forem consumidas em excesso também aumentam o risco de câncer e não reduzem doenças crônico-degenerativas. ‘‘Com a idade, o metabolismo fica mais lento e a ingestão de algumas substâncias podem aumentar o risco de várias doenças’, alerta a médica. O tema foi discutido no 18º Congresso Brasileiro de Geriatria e Gerontologia realizado no último mês em
São Paulo.
  O diretor da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Rubens de Fraga, criticou a venda dos chamados hormônios bioidênticos para retardar a velocidade do envelhecimento, que são produzidos em laboratório, e passam por um processo industrial de síntese, transformação ou de modificação na sua estrutura química. ‘‘Não existe estudo científico sério que ateste qualquer benefício dos hormônios chamados bioidênticos manipulados’’, destaca. (Com informações
da Agência Brasil)

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