O mundo vivia um momento de transição quando o alemão Johann Gutenberg criou a imprensa, em 1456. Na Europa, as pessoas deixavam os feudos e iam para as cidades. A nobreza começava perdia ®MDBO¯®MDNM¯força enquanto os burgueses se fortaleciam. Fora dos domínios dos senhores feudais, os homens sentiam o ar da liberdade.
''O capitalismo estava nascendo e foi um grande impacto quando as obras literárias começaram a ser difundidas. Os homens passaram a ter acesso ao conhecimento, pois antes da tipografia tudo era caligrafado em pergaminhos que ficavam bem guardados nos mosteiros. A imprensa também foi um elemento a mais de liberdade, porque as pessoas passaram a ter condições de difundir suas idéias'', narra o professor de história e filosofia Geraldo Luís de Souza.
Hoje, 553 anos depois da invenção de Gutenberg, a leitura continua sendo sinônimo de liberdade, conhecimento, expressão de idéias. Em um mundo onde as informações viajam em alta velocidade, quem não lê corre o risco de ficar para trás na corrida da vida moderna, como já dizia o polêmico jornalista Paulo Francis, morto em 1997: ''Quem não lê não pensa, e quem não pensa será para sempre um servo.''
Paixão pelas letras impressas - Neste sentido, ler tornou-se uma necessidade. E ler jornais, uma necessidade diária, permanente. Porém, para algumas pessoas, a leitura é uma verdeira paixão. Um bom exemplo é o ortopedista e traumatologista Herculano Braga Filho, que se auto define como um leitor fanático. ''Tenho um sonho para quando me aposentar, que é ficar no meio dos livros'', revela.
Nascido em Bela Vista do Paraíso (40 km ao norte de Londrina), ele começou a ler ainda menino, passando os olhos pelas notícias, às vezes já velhas, estampadas nos jornais que seu pai, dono de um armazém, usava para embrulhar as mercadorias.
Além disso, seus professores do antigo primário e ginásio, atual ensino fundamental, também foram incentivadores para que ele se tornasse um grande leitor. ''Naquele tempo, nas cidades pequenas, quem dava aula para as crianças eram profissionais de diversas áreas, pois faltavam professores. Lembro-me com muito carinho de um deles, que também era médico e se chamava Edgar Valente. Ele demonstrava tanto conhecimento e falava de tantas coisas que me encantava. É uma pena que hoje os professores primários ganhem tão pouco'', lamenta.
Atualmente, Braga Filho lê quatro jornais por dia, entre eles a FOLHA, e assina três revistas semanais. ''Quem diz que não tem tempo para ler, na verdade não tem costume e prática'', opina.
E olha que ele faz as leituras com muita atenção, a ponto de ligar para as redações dos jornais para corrigir informações, principalmente as históricas. ''A cultura contribui muito para a paz. Quem tem conhecimento é justo e pacífico, porque tem argumentos e não precisa brigar. Prova disso é que as guerras são feitas por engenheiros bélicos e não por filósofos. Fico triste quando encontro pessoas que não lêem'', conta o médico, que, além dos jornais, também é apreciador de livros técnicos de sua área e da literatura, principalmente das obras de Guimarães Rosa.
Compreender e evoluir com a leitura - A leitura também sempre fez parte da vida da auxiliar de escritório curitibana Ana Paula dos Anjos. Para ela, ler significa estar bem informada, pronta para acompanhar a evolução rápida do mundo. Assinante da FOLHA, Ana Paula já incorporou à sua rotina um momento para ficar por dentro das notícias. ''Logo que o jornal chega, bem cedinho, eu e meu marido já aproveitamos para ler. É o melhor horário porque o nosso filho ainda está dormindo'', conta a mamãe coruja, referindo-se ao pequeno João Pedro, de apenas seis meses.
De malas prontas para Portugal, onde concluirá seu pós-doutorado em educação com ênfase em leitura, a professora Lucinéa Aparecida de Rezende, do departamento de educação da Universidade Estadual de Londrina (UEL), ensina que, na leitura, o mais importante é compreender o que se lê. Ainda segundo a professora, não existe somente a leitura da palavra, mas também a leitura da imagem e do som, que podem ser bons atalhos para criar o hábito em quem diz não apreciar as palavras.
''Quem não é um leitor rotineiro precisa aprender, aos poucos, a gostar de ler. Nesse sentido, o jornal é excelente, pois apresenta diferentes perspectivas, como a foto, a charge, a diagramação e um panorama de mundo por meio de todas as suas editorias. Para quem não tem o costume de ler, digo para nunca desistir de priorizar o que é mais importante para a sua vida. Estamos no século 21. Abster-se da informação é ser levado pela maré'', finaliza Lucinéa.

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