Eduardo Araujo – homônimo do cantor – fala do evento e mostra por que uma idéia, bem desenvolvida, gera lucro
Eduardo Araujo e sua mulher Luciana Gondo: Maringá espera cerca de 60 mil pessoas para diversão e consumo, mostrando ser uma cidade preparada para grandes realizações esportivas e culturaisO engenheiro agrônomo Eduardo Daibert Araujo, 28 anos, sem parento com o antigo roqueiro e hoje adepto da country music, nunca exerceu a profissão. Desde os tempos de faculdade, em Maringá, juntamente com outros aficionados pelo rodeio, passou a praticar montarias em novilhos nos finais de semana, ‘‘apenas por brincadeira’’, como costuma dizer. Como essa descompromissada diversão sempre atraía um número grande de adeptos e aqueles que só queriam ver os tombos, não foi difícil, em 1989, organizar um rodeio nos fundos da Universidade Estadual de Maringá. Era o embrião do Circuito Nacional de Rodeio Universitário, que começou a ser praticado, para valer, a partir de 1991, reunindo competidores do Paraná e até mesmo de outros Estados. Hoje, o evento Rodeio Universitário transformou-se em uma potência como negócio no País. Em 1999, já em sua 8ª edição e com o nome de Circuito Cowboy Forever de Rodeio Universitário, a realização passou por 16 cidades de oito Estados, movimentou algumas dezenas de milhões de reais e foi vista por 500 mil pessoas. Desde 1995, sempre em Maringá, acontece o Rodeio Mundial Universitário, com competidores brasileiros e norte-americanos. De 12 a 15 deste mês, a imponente arena coberta do Parque Internacional de Exposições da cidade espera acolher 60 mil pessoas para acompanhar o Cowboy Forever Rodeo, já considerado um dos mais importantes e organizados rodeios brasileiros, em cujo bojo estão o Rodeio Mundial Universitário e a final do Circuito Cowboy Forever. No comando de tudo, Eduardo Daibert Araujo, que fala nesta entrevista à Folha.
Folha – Você descobriu um filão?
Eduardo – Não considero assim. Apenas procurei aproveitar a oportunidade de trabalhar em meu próprio negócio, vislumbrando no rodeio um enorme potencial. Ao contrário de outros amigos daquela época, que não acreditaram, eu fui em frente.
Folha – A marca ‘‘Rodeio Universitário’’ é sua propriedade?
Eduardo – Exatamente. Ela, assim como várias outras que foram desenvolvidas por nós, encontram-se registradas no Instituto Nacional de Propriedade Industrial.
Folha – Isto significa que só você pode autorizar a realização do Rodeio Universitário em qualquer canto do Brasil?
Eduardo – É por aí. Para isso instituímos o Circuito Nacional, que contou com quase duas dezenas de etapas este ano, em oito Estados. Fomos de Santa Catarina ao Tocantins. Em dezembro, vamos trabalhar no calendário de 2000. Já temos um grande número de propostas.
Folha – Quem participa do Rodeio Universitário?
Eduardo – Exclusivamente estudantes universitários. Mas veja bem: todos eles precisam comprovar boas notas e um limite satisfatório de faltas. Temos cowboys universitários que participam de quase todas as etapas. Em uma temporada, geralmente eles são os mesmos no ranking. Não é muito fácil, para os novatos, superar os mais experientes.
Folha – Mas não há perigo nesse rodeio para os cowboys?
Eduardo – Como em quase todos os esportes, os riscos de acidentes não podem ser descartados, mas existe uma grande estrutura preparada para proteger o cowboy quando ele entra em ação. A pronta atuação dos salva-vidas após uma queda, por exemplo, diminui sobremaneira os riscos. Com isso, os acidentes tornam-se raros.
Folha – Você desenvolveu, também, a marca Cowboy Forever. No que consiste?
Eduardo – Ela se tornou uma espécie de embalagem e, ao mesmo tempo, sinônimo do Rodeio Universitário. Com o passar dos anos, ela passou a predominar e, em vez de Circuito Nacional de Rodeio Universitário, por exemplo, temos agora o Circuito Cowboy Forever de Rodeio Universitário. E, pela primeira vez, estamos organizando o Cowboy Forever Rodeo, denominação que substitui o Rodeio Mundial Universitário, agora uma das principais atrações do evento.
Folha – A marca Cowboy Forever está presente em muitos produtos, não é verdade?
Eduardo – Ela identifica uma linha de calças e camisas, além de bonés, vendidos em mais de 200 lojas pelo País.
Folha – Você é conhecido também por ser extremamente exigente em qualidade. Isto distingue seus eventos do rodeio tradicional?
Eduardo – São duas realidades bastante distintas e só posso falar, é claro, pelo Rodeio Universitário. Em relação a este, temos a preocupação permanente de fortalecê-lo, em especial no aspecto qualidade. O Cowboy Forever Rodeo, modéstia à parte, será um show de qualidade porque teremos aqui, por exemplo, os melhores profissionais do rodeio brasileiro. Entendo que avançamos muito em termos de espetáculo, em superprodução. E isso encanta até mesmo os exigentes cowboys dos Estados Unidos, onde o rodeio universitário é praticado regularmente há meio século.
Folha – Isso justifica o fato de seus eventos contarem com grandes patrocinadores?
Eduardo – É tudo uma consequência, sem dúvida alguma.
Folha – Qual o impacto de um evento desses para uma cidade como Maringá?
Eduardo – O maior possível. Estamos esperando um público de 60 mil pessoas – 35% de municípios da região e até de outros Estados. Gente que virá gastar na cidade, movimentando hotéis, restaurantes, shoppings, enfim. Sem falar da grande divulgação de Maringá em todo o Brasil. Numa época em que se fala tanto em fomentar o turismo na cidade, acho que o Cowboy Forever Rodeo é uma excelente oportunidade. Além de seu verde exuberante, Maringá está se transformando, também, na capital mundial do Rodeio Universitário. Não é uma boa?

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