Hoje é dia de cinema curitibano no Festival de Gramado. Única produção da cidade selecionada para o evento, o curta-metragem Osório será exibido pela primeira vez na Serra Gaúcha, onde disputa o troféu Kikito com outros 11 concorrentes. A reportagem da FOLHA assistiu ao filme com exclusividade e conversou com as diretoras Heloísa Passos e Tina Hardy sobre essa homenagem à praça fundada em 1879.
Com 12 minutos de duração, o curta mescla documentário e ficção para retratar a movimentação noturna na General Osório. Na primeira parte, a atriz Fernanda Farah vive uma mulher solitária que passa o tempo debruçada na janela, observando quem passa pela praça. Depois, o filme ganha tintas documentais, com imagens reais de figuras típicas daquele espaço.
São crianças de rua brincando na chuva, idosos jogando cartas, garis que dividem o lanche, um travesti no fim do expediente... Até o chafariz vira um personagem através da lente de Heloísa Passos - cujo currículo inclui a direção de outros dois curtas e diversos trabalhos como fotógrafa.
''A proposta é fazer com que aqueles indivíduos, invisíveis no dia-a-dia, sejam notados'', explica Heloísa. Para ela, que hoje mora em São Paulo, a praça é o coração da cidade. ''A caminhada pela Rua das Flores, que é muito prazerosa, acaba na Osório. É lá que as pessoas param, encontram-se, tomam café.''
O pontapé inicial para a produção foi o lançamento de um edital da Fundação Cultural. Os projetos contemplados deveriam ser realizados em vídeo digital, ter até 15 minutos de duração e tratar do tema ''Curitiba hoje''.
''Inicialmente, pensamos em filmar no Edifício Asa, transformando um dos apartamentos em observatório'', conta a diretora. Como não foi possível alugar um imóvel ali, optou-se por uma sala comercial no sétimo andar de um prédio próximo, o Hauer, onde as diretoras e a atriz praticamente moraram por cerca de um mês.
Como não poderia deixar de ser, o processo de filmagem trouxe à tona memórias antigas das diretoras. ''Lembro de um escoregador laranja onde eu sempre brincava antes de pegar ônibus'', diz Heloísa, de 41 anos. Tina, 35, também associa à praça com o parquinho. ''Meus pais eram separados e eu sempre passava os fins de semana com o meu pai. Ele adorava ficar papeando na Boca Maldita, enquanto eu ficava brincando na Osório.''
Mas o que mudou de lá para cá? ''Acho que agora o lugar está mais limpo e controlado. Não há mais aquele clima de praça de centro da cidade, meio desordenado'', diz Tina.
Depois de Gramado, o filme participa, no dia 23, do Festival Internacional de Curtas, em São Paulo. E deve estrear por aqui até o fim do ano. ''Queremos muito mostrar o trabalho em Curitiba, claro. Porque é importante parar e mostrar a cidade. Essa é a missão de quem trabalha com imagem'', conclui Heloísa.

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