O RÁDIO EM LONDRINA - Rádio elegeu 15 vereadores em 28 anos
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sábado, 01 de maio de 2004
Cristiane Oya<br>Reportagem Local 
Nas seis décadas em Londrina o rádio além de um dos mais acessíveis meios de comunicação e informação se consolidou também como um excelente cabo eleitoral.
Conforme dados da dissertação apresentada ao curso de pós-graduação em Ciências Sociais, do professor de Jornalismo da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Osmani Costa que deve ser transformada em livro ainda este ano nas oito últimas eleições municipais, de 1968 (a primeira dentro do regime militar iniciado em 1964) a 1996, 15 radialistas foram eleitos vereadores, sendo a terceira categoria que mais elegeu para a Câmara Municipal. Obtiveram mais êxito nas urnas, os advogados, com 18 representantes, e os comerciantes, com 16 vereadores. Entre os profissionais do rádio, ainda foram eleitos deputados, prefeitos, senador e governadores.
A história da participação político-partidária de radialistas em Londrina, se inicia em 1959, com a eleição de Otássio Pereira da Silva para vereador. Mas é em 1968 que os radialistas alcançam maior representatividade, elegendo cinco vereadores Antonio Belinati, Romeu Curi, Dácio Leonel de Quadros, Alvaro Dias e Délio César ou 23,8% das 21 cadeiras.
''Os radialistas, ao longo dos anos, foram assumindo um papel de intermediários do ouvinte e o poder. Em Londrina, por exemplo, todos estes apresentadores que eu citei, eles intermediam a solução de problemas que as autoridades públicas não resolvem, eles criticam quem está no poder e defendem os ouvintes. Neste defender ele assume o papel de uma autoridade pública sem mandato, e parece para o ouvinte que ele toma conta de solucionar o problema'', explicou Costa, ex-jornalista da Folha de Londrina.
Conforme o estudo, uma característica comum entre os radialistas que conseguiram expressivas votações é que eram apresentadores de programas líderes de audiência, por longo tempo, em emissoras locais de grande público. ''A minha pesquisa também encontrou uma coisa que diferencia a cidade. O eleitorado é de oposição quase que sistemática ao governo de Curitiba e de Brasília nas últimas décadas. Então o radialista de sucesso eleitoral faz um discurso de oposição ao poder, critica a Câmara atual, o prefeito, o governador, independente de coloração partidária. Isso agrada o ouvinte'', avaliou.
Ao mesmo tempo que parte da categoria conseguiu representatividade na política londrinense, outra parte cerca de 17 radialistas não conseguiram se eleger. ''Os que não obtém sucesso, que são em número igualmente representativo, não alcançam por algumas características: eles não tiveram ao longo dos anos esta marca construída, eles não tiveram a oportunidade de comandar programas de grande audiência, normalmente são repórteres, redatores, editores ou até têm seus programas, mas de menor audiência.''
Apesar de vários radialistas-políticos admitirem o peso do rádio nas eleições quatro radialistas foram campeões de votos (Antonio Belinati em 1968, Siqueira Martins em 1982, José Makiolke em 1992 e Antenor Ribeiro em 1996) , a audiência não significa fidelidade nas urnas. ''Como é que pode, entre 200 candidatos a vereador em Londrina, em que só se elegem 21, ele foi o mais votado e na eleição seguinte não se reelege. Tem algumas características: ele frustrou o seu eleitorado. Ele pintava como o delegado que resolvia tudo, montou uma imagem falsa, e quando ele se elege vereador tem que dividir o seu poder com outros 20, ele não resolve os problemas que o ouvinte-eleitor esperava'', analisou Costa. ''Às vezes, o radialista eleito também não dá conta da vida partidária. Ele começa a competir com os colegas de partido, que vêem nele uma ameaça aos seus interesses políticos. Além de um político de sucesso que acabou de ser eleito, ele tem a rádio. São quatro anos de campanha, todos os dias no ar. Os que se elegem e não conseguem reeleição é por isso, ou porque eles achavam que como vereador fossem capazes de resolver maior número de problemas da população na Câmara e viram que não é isso.''
Desde o início da participação política de radialistas na cidade, a última eleição municipal, de outubro de 2000, foi a primeira em que nenhum profissional do rádio obteve sucesso nas urnas. Três tentaram a eleição, três a reeleição, e Barbosa Neto (PDT), disputou o segundo turno para prefeito. ''Eles não se elegeram por uma série de causas, mas acho que a principal foi que a eleição de 2000 foi atípica porque as vésperas da eleição, havia acontecido a cassação do mandato do prefeito Antonio Belinati, que é um radialista importante que está no ar há 40 anos, isso acho que atrapalhou os radialistas, a imagem de um radialista cassado foi muito ruim para estes candidatos. Outra questão é que todos os candidatos estavam ligados de certa maneira à figura do Belinati, então isso desgastou. Outros dois vereadores que tentaram pela primeira vez tinham pouca audiência'', analisou.


