O próximo boom
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sexta-feira, 06 de fevereiro de 2009
Omar Godoy<br> Equipe da Folha 
Já é possível dizer que há uma segunda geração do humor curitibano. Gente que viu de perto o surgimento da cena e entrou no jogo sem ter de enfrentar o percalços dos desabravadores. "O Fábio Lins é um dos que chegou com uma visão mais profissional da coisa", afirma o xará Fábio Silvestre.
Lins, de 22 anos, passou de ator mirim a comediante com a ajuda de Silvestre. Há pouco mais de um ano, estreou no Café Comédia e não parou mais. Começou fazendo personagens e migrou para o stand-up comedy. Hoje comanda, com Marco Zeni, a noite Santa Comédia.
Ele explica que um show de humor não se sustenta apenas com piadas engraçadas. "Da disposição das cadeiras ao atendimento dos garçons, tudo conta. É importante que o dono da casa também invista na produção, dividindo, por exemplo, os custos quando se traz uma atração de fora".
A divulgação é outra chave para o sucesso, mas não da maneira convencial. Em vez de mandar releases para a imprensa, os produtores exploram a internet - mandando e-mails, entrando em comunidades do Orkut ou disponibilizando vídeos de apresentações no YouTube.
Ou seja: mais uma prova de que a marca do movimento é mesmo o contato direto com o público. "No fim das contas, o que importa é o boca-a-boca", diz Lins.
Sobre o boom do humor, ele faz uma ressalva. "Existe uma febre, claro. Mas há muitos flashs que apenas piscam, trabalhos que não se mantêm. Noites de comédia realmente estruturadas, como a nossa, devem ter apenas umas cinco no Brasil inteiro".
Além de atuar no Santa Comédia, Lins dirige o grupo Nu Improviso. Como diz o nome, trata-se de uma trupe especializada no humor de improvisação, desenvolvido a partir de jogos com a platéia - que, de certa forma, influi na condução do show.
Trata-se de mais uma escola americana, que vem ganhando adeptos Brasil afora (em Curitiba, a Cia dos Palhaços também está em cartaz com um espetáculo do gênero). "Esse vai ser o próximo boom", acredita o diretor. (O.G.)


