O PREÇO DA NOITE - Diversão e lazer noturno geram R$ 126 milhões para Londrina
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sábado, 23 de julho de 2005
Jacira Werle<br> Reportagem Local 
Todas as noites são dias para festa. Em cada ocasião o compromisso de visitar pelo menos dois bares, restaurantes ou danceterias diferentes. A certeza de que só deixaria de sair se estivesse muito doente. O saldo de tanta diversão acaba em R$ 2 mil por mês, em média, para o empresário que prefere, por questão de segurança, ficar anônimo. ''Acho que gasto muito em festas, estou tentando diminuir o tamanho da conta'', revela. Ele diz que já cortou os gastos em 30% nas últimas semanas.
Soma dali, calcula daqui. A estimativa de injeção de recursos no setor de lazer em Londrina neste ano deverá ultrapassar os R$ 126 milhões, segundo dados do Convention & Visitors Bureau (CV&B). A diretora executiva do CV&B, Maitê Ulmann, explica que este ano irão ocorrer mais de 500 eventos com cerca de 700 participantes cada um. A média de permanência de cada visitante na cidade é de três dias.
É pensando nesses dados e relacionando-os com os gastos médios de cada participante ao dia, em torno de R$ 300, que é possível ter a dimensão dos valores injetados por setor na economia londrinense. Maitê esclarece que os visitantes chegam à cidade propensos a gastarem. Dos R$ 300 despendidos ao dia, 40% (R$ 120), são usados com lazer.
Maitê contabiliza que em 2004, o CV&B registrou 400 eventos na cidade, cada um com média de 700 participantes. No ano passado, as 280 mil pessoas que passaram pela cidade deixaram aqui em restaurantes, danceterias, bares e cinemas R$ 100.800.000.
Da confeiteira aos garçons, passando pelo serviço de limpeza, eletricidade, segurança, estacionamento, transporte e música. O dinheiro dos visitantes chega e espalha-se pela cadeia do entretenimento. ''Se você for analisar profundamente, a costureira que borda o uniforme da garçonete que trabalha no período noturno ganha dinheiro com a noite'', avalia Maitê. Ela explica que o visitante não vai comprar uma geladeira no comércio londrinense, porém, ele vai permitir que o guarda-noturno que trabalha no estacionamento tenha mais dinheiro para adquirir esse tipo de bem e movimentar ainda mais outros setores com o recursos advindos do lazer.
É exatamente porque essa cadeia de empregos diretos e indiretos relacionados ao lazer se amplia que o gerente da Agência do Trabalhador de Londrina, Mauro Vieceli, aponta que o mercado de trabalho na área é promissor. ''Trabalhar com lazer durante à noite é uma opção a ser observada. Sempre há demanda por garçons e seguranças'', analisa. Ele lembra que por essas vagas serem durante a noite o salário é geralmente mais alto em comparação com a mesma função executada durante o dia. Os salários mais baixos ficariam em torno de R$ 450. Vieceli diz ainda que é comum esses profissionais receberem comissões e gorjetas o que eleva ainda mais os rendimentos.
Mesmo que os gastos da noite sejam controlados pelos consumidores, buscar diversão noturna é sinônimo diminuir o saldo da conta bancária. Assim como o empresário festeiro, outros dois frequentadores da noite londrinense também afirmam que gastar mais ou gastar menos em uma noite de festa vai depender da opção de diversão escolhida. Entretanto, os dispêndios com a programação noturna devem sempre se encaixarem no orçamento disponível de cada festeiro.
A universitária Bianca Prieto admite que gasta um terço do dinheiro disponível ao mês com a programação noturna. Comprando convites de festas antecipados ela procura maximizar o dinheiro destinado para o lazer. Bianca argumenta que só não vai a mais lugares durante as noites por causa das responsabilidades com o trabalho e com a faculdade. Segundo ela, o atendimento é o que mais pesa na hora da escolher os locais onde ir. ''Ver as pessoas que trabalham na balada se divertindo com o que fazem e sendo simpáticas com os clientes me faz voltar sempre aos lugares que mais gosto'', reforça.
Quinta-feira em um bar, sexta-feira e sábado danceterias e no domingo é a vez do churrasco com os amigos. Essa é a rotina básica de festas para o contador Vitor Borges Júnior. Ele calcula que, em média, gasta R$150 por semana em consumo durante as festas. Na opinião dele, os gastos com a noite são o preço que a pessoa paga para se sentir bem e estar com as pessoas que gosta.
Borges compara os preços dos produtos vendidos durante a noite e durante o dia. '' Acho que eles (comerciantes da noite) cobram 300% a mais do que o valor praticado para as bebidas durante o dia. É preço da noite'', afirma.
O vice-presidente do Sindicato dos hotéis, restaurantes, bares e similares de Londrina, Alzir Bocchi, acredita que os gastos médios por cada pessoa em lazer durante a noite na cidade variam entre R$100 e R$150. Sendo que o pico de movimento vai da quinta-feira até o sábado. Quanto ao perfil de pessoas que usufruem das opções noturnas da cidade estão jovens de 18 a 26 anos, principalmente, acrescenta.


