Jonas OliveiraA modelo Vanessa Lima se considera uma consumidora em potencial dos produtos especialmente fabricados para a mulher negraUm é professor de História, outro é juiz aposentado, uma é modelo e o outro é radialista. Todos têm muito orgulho de ser negros, conseguiram se impor na sociedade e hoje fazem parte da faixa social chamada de classe média. No Paraná, o total de negros é 23% da população e em Curitiba, 21%.
De acordo com uma pesquisa realizada pela Grottera Comunicação, de São Paulo, no segundo semestre do ano passado, a classe média negra brasileira é formada por 7 milhões de habitantes, em 1,7 milhão de famílias - média de 2,2 filhos por família, com alto nível de escolaridade - 45% colegial completo e 34% superior completo, e renda familiar média de R$ 2.311,94 por mês.
‘‘Todos os lugares sociais estão para mim’’, assim foi educado o professor de História da Universidade Federal do Paraná, Luiz Geraldo Santos da Silva, que nas horas vagas é músico e toca violão em bares. Ele diz perceber que não está sozinho no contexto da classe média. ‘‘Já tem muita gente em Curitiba e existem várias publicações e serviços dirigidos para os negros.’’
Por outro lado, constata o professor, tenho medo que traços distintivos acabem impondo a segregação ao invés de eliminá-la. ‘‘Os negros têm que consumir todos os produtos sem distinção. Tenho ojeriza a ‘roupas para negros’. Me sinto bem com a roupa que uso e que serve para qualquer pessoa’’, assegura.
Outro aspecto que Santos da Silva critica é o fato da maioria dos movimentos negros exaltarem heróis, como Zumbi dos Palmares, e não verem, por exemplo, que o maior romancista brasileiro e fundador da Academia Brasileira de Letras, Machado de Assis, era negro. Da mesma forma que o compositor, do século 19, padre José Maurício e os engenheiros Rebouças. ‘‘Para estas pessoas não há referências sobre sua raça e foram figuras importantíssimas’’, exalta.
O professor Santos da Silva fez doutoramento na Universidade de São Paulo, é casado com uma mulher branca e têm um filho pequeno. A família veio de Recife e vive em Curitiba há cinco anos. ‘‘A discriminação sempre existiu. Os negros ainda são marcados por atitudes e símbolos vinculados à cor da pele e, reproduzidos pelas pessoas que depreciam a qualidade do ser humano de cor negra’’, constata. ‘‘Com quase 300 anos de escravidão, a História dá muito ênfase a este período e o negro continua com dificuldades de integração social.’’

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