O poder da palavra e do afeto
Quando Antônio Luís Silva de Almeida, 29 anos, veio do Maranhão há quase quatro anos nunca imaginou que se tornaria voluntário da Casa de Apoio Esperança, que atende pacientes do Instituto do Câncer de Londrina. Nem ao menos vislumbrava a transformção que esta atitude iria trazer ao seu ''Eu''. ''Mais do que ajudar o próximo acredito que me ajudo. Sinto que me transformei em uma pessoa mais humana e passei a ver a vida com outros olhos, com mais amor'', resume.
Para Luís, hoje as pessoas pensam mais em conquistar ''coisas'' materiais. ''Elas estão perdendo o amor cristão'' e deixam de praticar um dos mandamentos mais importantes: ''Amai-vos uns aos outros como a ti mesmo''.
Pacientes que ficam na Casa Esperança, como Joel de Oliveira, de 74 anos, Francisco Borges de Oliveira, de 52 anos, e Nair Arruda Eduvirgen, de 66 anos, sentem esse amor, essa dedicação e são unânimes no agradecimento aos cuidados que recebem dos voluntários. ''Aqui é a mesma coisa de casa, até a cama daqui lembra a minha lá de casa'', reforça Francisco de Oliveira.
Digitação luminosa
O funcionário público José de Assis Lebrão sempre teve vontade de ajudar o próximo de um forma contínua por meio de um trabalho regular, só não sabia como. A descoberta do que fazer veio ao ler uma matéria de jornal que divulgava a necessidade de digitadores no Instituto Londrinense de Instrução e Trabalho para Cegos. Imediatamente, ele se identificou com essa função e, em dezembro do ano passado, começou a digitar livros para impressão em braile - sistema de leitura com o tato para cegos. ''É uma sensação muito boa, estar disponível para ajudar. Sinto-me privilegiado e nada me custa ser solidário com quem tem deficiência visual'', afirma.
A realização pessoal também alimenta a alma de Maria Salete da Silva, de 65 anos, dos quais os últimos 20 têm sido dedicados ao voluntariado na Casa do Caminho e na Casa de Apoio Lucilla Ballalai do Instituto de Câncer de Londrina. Apesar de tanto tempo, Salete até hoje se diz impressionada com o poder que a palavra e o afeto possuem na relação com o outro. ''Uma palavra amiga fortalece e motiva as pessoas que estão passando por algum tipo de dificuldade e acaba estabelecendo um vínculo tão forte, de confiança, que nos traz muita gratificação. Por isso, o lema de minha campanha de vida é ''Adote o próximo''. Nos últimos três meses, tive que me afastar das atividades após descobrir um câncer. E acredito que o meu trabalho de voluntariado fez com que compreendesse melhor a doença, fazendo com que em nada me atrapalhassse a vida''.(M.C.)





